Resenha: Os 13 Porquês, de Jay Asher

ESTA RESENHA CONTÉM SPOILERS
A vida de Clay Jensen muda completamente quando Hannah Baker, uma garota da escola de quem ele gostava, comete suicídio. Claro, todo adolescente é impactado pelo seu primeiro contato com a morte, mas o caso de Clay é mais profundo. É a morte de seu primeiro amor, e ele logo vai descobrir que teve um pouco de responsabilidade nesta morte.
Um dia Clay recebe uma caixa com 13 fitas cassete gravadas por Hannah logo antes de cometer suicídio. Em cada fita há um personagem principal, que a levou um passo mais perto de se matar. Cada culpado deve escutar todas as fitas e passar a caixa adiante para o próximo da lista. Se a “corrente” for interrompida, um segundo conjunto de fitas será divulgado, desta vez não apenas para os culpados, mas para todos do colégio.
O que será que Clay fez de errado? Ele não consegue imaginar uma única coisa que tenha feito para magoar ou machucar Hannah. Por isso ele mente para a família, sai de casa, não come, não dorme, não faz nada até terminar de ouvir todas as fitas e desvendar aquele mistério.
Tudo aconteceu por causa da má reputação que Hannah ganhou na escola, para a qual ela havia acabado de se mudar. E esta má reputação era uma mentira. Uma mentirinha “de nada” de um garoto popular, mas que acabou virando uma bola de neve e esmagou a vontade de Hannah de viver.
A meu ver, o machismo e a falta de sororidade mataram Hannah – ou levaram Hannah a se matar. A ideia de que mulheres têm de ser rivais em praticamente tudo se difunde desde muito cedo, e sendo a adolescência uma época tão sexualizada e com os hormônios tão em polvorosa, não é de se espantar que histórias muito semelhantes com as de Hannah aconteçam.
Estatisticamente, segundo a American Foundation for Suicide Prevention, mais homens se suicidam, e a taxa é mais alta entre os homens de meia-idade. A taxa de suicídio entre jovens é a mais baixa nos países de alta renda e mais alta nos países de baixa renda, mas não é por isso que deve ser ignorada: afinal, é uma porcentagem pequena, mas que representa milhões de pessoas.

Em 2015, suicídio foi a segunda maior causa de morte entre adolescentes nos EUA, segundo pesquisa do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
Alguns trechos do livro são pungentes, em especial para quem lidou com bullying durante quase toda a vida escolar. Por exemplo:

“Você não sabem o que estava se passando no resto da minha vida. […] Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser na de vocês. E quando estragam uma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. […] Quando você estraga parte da vida de alguém, você estraga a vida toda dessa pessoa.” 

Também é muito interessante perceber como, pela narrativa, Hannah deu, sim, sinais de que alguma coisa estava errada com ela. Por mais que isso soe piegas – e eu não suporto pieguice – é muito importante prestar atenção a estes sinais, porque este porquinho de atenção e carinho podem salvar uma pessoa.
A resenha para por aqui, mas a história de Hannah volta a ser contada na Netflix a partir do dia 31 de março. O livro foi adaptado para uma série com 13 episódios. Eu já estou curiosíssima para conferir, e você?

O veredicto: 4 MINIONS!


ÓTIMO!

“Tudo que a gente realmente possui... é o agora”

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