Resenha: Os ratos vão para o céu?, de Vitor Miranda
Há alguns meses, o escritor Vitor Miranda teve um dos melhores reviews de seu livro: um “educador católico” criticou duramente um dos contos presentes na publicação. Quer propaganda melhor que isso? Só de fazer espumar essa gente, soube que o livro me agradaria. O conto que dá título ao livro é uma delícia. Começa com uma cena corriqueira, uma casa de família infestada por ratos e a ideia de colocarem uma ratoeira. Passa então por meditação sobre o bullying - eu também já fui um destes ratinhos com que os outros faziam experiências - e um parágrafo de informações sobre a espécie de roedor. É uma narração quase como um fluxo de consciência, que nos prende e, ao final, nos surpreende. Um conto seguinte, “Perdoando o Pai”, fala da invisível carga e prisão que é ser o provedor da casa, “coisa de homem” como o narrador aprendeu. Ali vem uma frase de efeito: “ um ser sem contato com sua ancestralidade é um ser que não se reconhece ”. O tema segue no conto imediatamente após, “Por f...