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Mostrando postagens com o rótulo Papel e Película

Papel & Película: Como Água para Chocolate, o livro, o filme, a série

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  *A coluna Papel & Película trata de literatura e cinema através de artigos sobre adaptações de obras literárias para o audiovisual. Escrevi a coluna semanalmente durante alguns anos para o finado site Leia Literatura. Este é um artigo inédito* Tita de la Garza ama Pedro Múzquiz e é correspondida. O que os impede de ficarem juntos é a tradição: como filha mais nova, Tita tem o dever de permanecer solteira e ficar ao lado da mãe, Elena, até a morte. Pedro então se casa com a irmã de Tita, Rosaura, mas o amor não arrefece. Essa história de amor proibido em meio à Revolução Mexicana (1910-1917) foi cozida na mente de Laura Esquivel e primeiro servida em 1989, fazendo de cara imenso sucesso. O livro Incluído na lista do jornal El País dos 100 Melhores Romances em Língua Espanhola do Século XX, o livro é composto de doze capítulos, cada um representando uma receita e um mês do ano - mas não se engane, não é uma história que se desenrola durante apenas um ano, mas sim em ...

Papel & Película: A Hora da Estrela, de Clarice Lispector a Suzana Amaral

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  *A coluna Papel & Película trata de literatura e cinema através de artigos sobre adaptações de obras literárias para o audiovisual. Escrevi a coluna semanalmente durante alguns anos para o finado site Leia Literatura. Este é um artigo inédito* À primeira vista, parecia um livro impossível de se adaptar para o cinema. E isso principalmente pela existência de um narrador não onisciente, mas onipresente, denominado Rodrigo S. M. A presença do narrador foi uma das surpresas que tive lendo o livro, afinal, ele faz algo que nem pode ser chamado de digressão - pois ainda não havia começado a narrar - no início do livro. A outra surpresa foi descobrir como é fina “A Hora da Estrela”: pouco mais de cem páginas! Mas, nelas, um mundo inteiro. Macabéa era a moça que acordava e se situava assim: “sou datilógrafa e virgem, e gosto de Coca-Cola”. É um livro rico em passagens que valem ser destacadas, mas o que eu gostaria de chamar atenção foi que li uma edição de 1980 e a capa trazia ...

Papel & Película: O Mistério dos Sete Relógios, de Agatha Christie à Netflix

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  *A coluna Papel & Película trata de literatura e cinema através de artigos sobre adaptações de obras literárias para o audiovisual e também filmes sobre livros. Escrevi a coluna semanalmente durante alguns anos para o finado site Leia Literatura. Este é um artigo inédito* Publicado em 1929, “O Mistério dos Sete Relógios” não é a melhor obra de Agatha Christie, como pude constatar lendo o livro. Falta a presença magnética e carismática de um Poirot ou uma Miss Marple. Assim como outros romances de espionagem da autora, não chega à altura de seus romances de mistério ou “whodunit”. Não foi uma leitura que me marcou, embora Christie mais uma vez tenha me surpreendido. Fui também sem esperar muito da minissérie, vista de antemão e muito criticada pela minha mãe, rata de Netflix  e também expert em IA, pois foi ela que montou a foto que abre este post. Mas fui de peito e mente abertos. E me decepcionei. Em 1925, na propriedade de Chimneys, uma pegadinha dá errado - muit...

Papel & Película: O Filho de Mil Homens

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    *A coluna Papel & Película trata de literatura e cinema através de artigos sobre adaptações de obras literárias para o audiovisual e também filmes sobre livros. Escrevi a coluna semanalmente durante alguns anos para o finado site Leia Literatura. Este é um artigo inédito*   Há pouco mais de seis meses, tive a oportunidade de assistir ao documentário de média-metragem sobre Antonio Candido “O Avô na Sala de Estar”, feito, como o nome revela, por sua neta. Antes disso já havia visto e amado “Antonio Candido: Anotações Finais” . No mesmo salão, também assistindo ao média, estava o escritor Valter Hugo Mãe - para ser mais precisa, sentado bem à minha frente. Ao final da sessão, fez uma observação pertinente. E assim foi meu primeiro contato com Valter Hugo Mãe. Meu segundo contato com Valter Hugo Mãe foi vendo a gravação da palestra dele no Flipoços . Depois de dizer, como quem não quer nada nem mesmo se gabar, que lê um livro por dia, o escritor afirmou que quem n...

Papel & Película: O Livro da Discórdia (2022)

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  *A coluna Papel & Película trata de literatura e cinema através de artigos sobre adaptações de obras literárias para o audiovisual e também filmes sobre livros. Escrevi a coluna semanalmente durante alguns anos para o finado site Leia Literatura. Este é um artigo inédito* “Quando um escritor nasce numa família, esta família está ferrada” - a frase é mais ou menos assim. Citada no filme por um apresentador de televisão, que diz que Philip Roth a citava, mas era de autoria de outro escritor, não nomeado. Esta frase sem autoria clara é perfeita para descrever um tipo de inspiração comum entre os escritores, mas que pode causar muitos problemas. Escreva sobre o que você conhece, alguém pode aconselhar. E conhecemos poucas coisas tão bem quanto a nossa família. Mudando nomes e gêneros, inventando situações e desmascarando outras ocultas, o escritor Youssef Salem (Ramzy Bedia) costura a trama de um romance entitulado “Choque Tóxico”. Na vida real, Youssef tem duas irmãs e um...

Papel & Película: Ainda Estou Aqui (2024)

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  *A coluna Papel & Película trata de literatura e cinema através de artigos sobre adaptações de obras literárias para o audiovisual. Escrevi a coluna semanalmente durante alguns anos para o finado site Leia Literatura. Este é um artigo inédito* Eu não podia deixar de participar do maior evento cinematográfico do Brasil em 2024: a estreia do nosso candidato ao Oscar e premiado no Festival de Veneza. “Ainda Estou Aqui” já é um sucesso comercial imenso, com mais de 8,5 milhões arrecadados no primeiro final de semana de exibição nos cinemas. Fui no quinto dia após a estreia e contribuí com meus 39 reais para a bilheteria. E não saí da sessão nem um pouco decepcionada. A história contada é de quem fica. Quem fica é Eunice Paiva (Fernanda Torres). Quem vai é seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva (Selton Mello). Vai, não: é brutalmente levado por agentes da ditadura para “prestar depoimento”. Dias depois Eunice e sua filha adolescente também são levadas para depor e passam por t...

Papel & Película: Confissões de uma garota excluída

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  *A coluna Papel & Película trata de literatura e cinema através de artigos sobre adaptações de obras literárias para o audiovisual. Escrevi a coluna semanalmente durante alguns anos para o finado site Leia Literatura. Este é um artigo inédito* Para tudo, Brasil, polo Norte e China! É assim que a protagonista do livro “Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática” se expressa em diversas ocasiões. É um livro fofo e previsível de Thalita Rebouças. Foi meu companheiro de aeroporto em cinco viagens ao longo de dois anos. Sim, eu só o lia esperando o horário do voo, e a narrativa é tão simples que não fazia mal haver um grande intervalo de tempo entre as vezes que eu pegava o livro. Além da história bem previsível, a autora salpicou algumas receitinhas fáceis que eram feitas pela protagonista, Tetê - apelido para o exótico nome “Teanira” -, uma menina que viu sua vida virar de cabeça para baixo quando o pai perdeu o emprego e ela precisou ir morar com os ...

Resenha: O Inimigo Secreto, de Agatha Christie

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  Em minha casa, apreciamos Hercule Poirot. Minha mãe tem uma pequena porém robusta coleção de livros com aquele que é, talvez com alguma sombra de dúvida, o personagem mais famoso criado pela escritora britânica Agatha Christie. Já havia lido, da coleção, “Assassinato no Expresso do Oriente” e “A Morte no Nilo”, leituras que fiz para comparar com as adaptações cinematográficas destas obras. Quando o grupo de leitura do site Feito por Elas criou um subgrupo para leitura cronológica dos livros de Christie, eu soube que não podia ficar de fora. Como tenho uma lista enorme de outros livros que quero ler, decidi me juntar ao grupo de leituras só quando fossem discutidas obras que tenho em livro físico. E isso aconteceu relativamente cedo, com “O Inimigo Secreto”. Com ele descobri muito sobre Christie, e também conheci os Jovens Aventureiros, Tommy e Tuppence. Fiquei surpresa ao descobrir que Agatha Christie publicou seu primeiro livro apenas aos 30 anos. O hábito da escrita em sua ...