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Papel & Película: Como Água para Chocolate, o livro, o filme, a série

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  *A coluna Papel & Película trata de literatura e cinema através de artigos sobre adaptações de obras literárias para o audiovisual. Escrevi a coluna semanalmente durante alguns anos para o finado site Leia Literatura. Este é um artigo inédito* Tita de la Garza ama Pedro Múzquiz e é correspondida. O que os impede de ficarem juntos é a tradição: como filha mais nova, Tita tem o dever de permanecer solteira e ficar ao lado da mãe, Elena, até a morte. Pedro então se casa com a irmã de Tita, Rosaura, mas o amor não arrefece. Essa história de amor proibido em meio à Revolução Mexicana (1910-1917) foi cozida na mente de Laura Esquivel e primeiro servida em 1989, fazendo de cara imenso sucesso. O livro Incluído na lista do jornal El País dos 100 Melhores Romances em Língua Espanhola do Século XX, o livro é composto de doze capítulos, cada um representando uma receita e um mês do ano - mas não se engane, não é uma história que se desenrola durante apenas um ano, mas sim em ...

Resenha: Doze anos de escravidão, de Solomon Northup

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Até a entrega do Oscar de 2014, eu nunca tinha ouvido falar em Solomon Northup. De fato, o homem de vida extraordinária fez sucesso com a publicação de sua autobiografia, mas passou muitas décadas esquecido pelo público. Voltar a lê-lo é mergulhar em uma das muitas manchas da história da humanidade, é relembrar uma atrocidade que jamais deve ser cometida novamente e é, em especial, se surpreender com o caráter humano a cada página. Solomon Northup era um homem negro, livre, habilidoso e inteligentíssimo. Ele morava perto de Washington com a mulher e três filhos e, uma noite, depois de negociar um trabalho como violinista em um circo itinerante, ele foi enganado por dois homens, que o drogaram, roubaram seus documentos e o venderam como escravo. A partir daí, Solomon viveria as mais cruéis provações por uma dúzia de anos, durante os quais sua liberdade e sua identidade lhe foram tiradas. O vocabulário do livro é esplêndido. Sim, é uma tradução para o português, mas não tenho dúv...

Resenha: Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago

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As mais loucas hipóteses podem dar origem a excelentes livros. Provavelmente grandes obras da literatura mundial surgiram através de ideias malucas como: “Seria possível dar a volta ao mundo em 80 dias?” ou “Como a Revolução Russa poderia ser contada através de uma alegoria usando animais da fazenda?” ou “O que seria de uma sociedade em que ler é proibido e os bombeiros, ao invés de apagar o fogo, tivessem como função queimar livros?”. O único autor de língua portuguesa premiado com o Nobel, José Saramago, usou várias vezes hipóteses incrivelmente criativas como mote de seus romances e sempre obteve fantásticos resultados. O livro começa com uma epidemia misteriosa de cegueira. No meio do trânsito, um homem perde a visão e a partir daí se espalha o caos. Cada pessoa tem contato com outros “infectados”, e o caso se torna motivo de atenção governamental. Em três dias as primeiras vítimas são isoladas em um hospício desativado, vigiadas por oficiais medrosos do exército que não pensam...