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Mostrando postagens com o rótulo literatura norte-americana

Resenha: A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath

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  Existem livros que entram na nossa vida e ficam na nossa lista de “próximas leituras” por muito tempo, até surgir a oportunidade perfeita. “A Redoma de Vidro” foi um desses livros. Ouvi falar através de amigas - que inclusive o têm como livros que mudaram a vida delas - e sempre quis lê-lo. O grande dia chegou, quando foi escolhido como livro do mês do clube de leitura Feito por Elas. Li-o, apreciei muito a prosa única de Sylvia Plath, e terminei-o num dia sugestivo: no segundo aniversário de minha tentativa de suicídio. Conhecemos Esther Greenwood quando ela está fazendo um estágio numa revista em Nova York. Nesta primeira metade do livro, suas interações com as outras meninas que moram no mesmo hotel que ela são o ponto alto da narrativa. É pelos olhos de Esther que conhecemos Doreen, Betsy, Hilda e outras que são só citadas. Mesmo em um meio glamouroso e excitante, Esther já demonstra certa apatia, bastante presente, por exemplo, em sua birra com filmes em Technicolor, que er...

Resenha: Constelação de Gênios, uma biografia do ano de 1922, de Kevin Jackson

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  O que faz de um ano extraordinário? Nas nossas vidas de reles mortais, pode ser um acontecimento, um marco, uma grande viagem ou uma conquista espetacular. Mas e se estivéssemos falando mais objetivamente: o que faz de um ano extraordinário? 1922 certamente foi extraordinário para muitas pessoas que o viveram, mas por si só, pelas coisas que aconteceram neste ano, 1922 pode ser considerado extraordinário. É isso que defende, em um calhamaço de quase 600 páginas, o autor Kevin Jackson. E é essa biografia do ano de 1922 que eu me comprometi a ler em 2022, cem anos após os fatos narrados terem acontecido. 1922 é o ano em que se passa a ação do grande romance norte-americano “O Grande Gatsby”. Foi o ano em que estrearem filmes como “Robin Hood” de Douglas Fairbanks, “Nosferatu” e “Häxan”. Foi o ano da nossa Semana de Arte Moderna. E foi o ano em que duas obras literárias seminais foram publicadas: o romance “Ulisses” de James Joyce e o poema “A Terra Devastada” de T.S. Eliot. O liv...

Resenha: Os 13 Porquês, de Jay Asher

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ESTA RESENHA CONTÉM SPOILERS A vida de Clay Jensen muda completamente quando Hannah Baker, uma garota da escola de quem ele gostava, comete suicídio. Claro, todo adolescente é impactado pelo seu primeiro contato com a morte, mas o caso de Clay é mais profundo. É a morte de seu primeiro amor, e ele logo vai descobrir que teve um pouco de responsabilidade nesta morte. Um dia Clay recebe uma caixa com 13 fitas cassete gravadas por Hannah logo antes de cometer suicídio. Em cada fita há um personagem principal, que a levou um passo mais perto de se matar. Cada culpado deve escutar todas as fitas e passar a caixa adiante para o próximo da lista. Se a “corrente” for interrompida, um segundo conjunto de fitas será divulgado, desta vez não apenas para os culpados, mas para todos do colégio. O que será que Clay fez de errado? Ele não consegue imaginar uma única coisa que tenha feito para magoar ou machucar Hannah. Por isso ele mente para a família, sai de casa, não come, não dorme,...

Resenha: Doze anos de escravidão, de Solomon Northup

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Até a entrega do Oscar de 2014, eu nunca tinha ouvido falar em Solomon Northup. De fato, o homem de vida extraordinária fez sucesso com a publicação de sua autobiografia, mas passou muitas décadas esquecido pelo público. Voltar a lê-lo é mergulhar em uma das muitas manchas da história da humanidade, é relembrar uma atrocidade que jamais deve ser cometida novamente e é, em especial, se surpreender com o caráter humano a cada página. Solomon Northup era um homem negro, livre, habilidoso e inteligentíssimo. Ele morava perto de Washington com a mulher e três filhos e, uma noite, depois de negociar um trabalho como violinista em um circo itinerante, ele foi enganado por dois homens, que o drogaram, roubaram seus documentos e o venderam como escravo. A partir daí, Solomon viveria as mais cruéis provações por uma dúzia de anos, durante os quais sua liberdade e sua identidade lhe foram tiradas. O vocabulário do livro é esplêndido. Sim, é uma tradução para o português, mas não tenho dúv...

Lista: 10 contos de Edgar Allan Poe

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Foi com curiosidade e animação que eu decidi participar do 1º Desafio Pocket Literário, um experimento que promete mudar radicalmente os desafios literários na web. O primeiro desafio, “O Chamado”, consistia em ler 16 contos de Poe e escolher dez favoritos. Conhecia a obra de Edgar Allan Poe apenas superficialmente, e graças às muitas adaptações para o cinema, várias delas estreladas pelo esguio e sombrio Vincent Price. Foi ótimo conhecer os escritos que deram origem a estes filmes, e também me aventurar na obra tão rica de Poe, considerado o primeiro escritor a viver exclusivamente de literatura nos EUA. Foi difícil fazer a lista, e talvez depois de algum tempo eu até mude a posição dos contos no ranking. (Ah, e atenção: minha coletânea não contava com um dos contos mais famosos do escritor, “O Corvo”). Mas, por enquanto, meus dez favoritos são: 10- A queda da Casa de Usher: Um conto relativamente longo, com um cenário ideal, uma mansão velhíssima, e um protagonista perturb...

Resenha: O lado bom da vida, de Matthew Quick

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Livros que viram filmes sempre se tornam sensação no mercado. “O lado bom da vida”, romance de estreia de Matthew Quick, além de ter sido adaptado para as telas, também figura em dois gêneros que fazem sucesso atualmente: o young adult e o chamado sick-lit , livros que tratam sobre doenças. Apesar de todos esses ingredientes de sucesso, Matthew foge dos estereótipos e trata doenças mentais com leveza e dignidade. Pat Peoples é um ex-professor que passou algum tempo internado no que ele chama de “lugar ruim” (uma clínica psiquiátrica) até que sua mãe fosse tirá-lo de lá contra as ordens dos médicos. A internação de Pat marcou o começo do “tempo separado” da esposa, Nikki, e a maior meta dele é reconquistá-la. Para isso, ele malha loucamente todos os dias e treina ser gentil ao invés de ter razão, ou seja, concordar com as pessoas ao invés de discutir. Tentei imitar nuvens... #FAIL O pai de Pat é um homem fechado e com um conceito de afeto difícil de entender. Seu humor é dita...