Postagens

Mostrando postagens com o rótulo poema

Resenha: Rubaiyat, de Omar Khayyam

Imagem
  Virava e mexia, eu entrava no escritório do meu avô e encontrava o livro “Rubaiyat” de Omar Khayyam em cima da escrivaninha. Depois que meu avô se foi, resolvi lê-lo para entender melhor quem foi aquele homem, minha única figura paterna. Ler os livros favoritos de uma pessoa pode ser uma revelação. “Rubaiyat” é um livro de poemas curtos escritos ao longo de vários anos no século XII. O nome da compilação foi dado pelo tradutor inglês Edwards Fitzgerald e significa “quarteto”. Fernando Pessoa foi bastante influenciado pela tradução de Fitzgerald, tanto é que sua edição pessoal, com notas de próprio punho, permanece em exposição na Casa Fernando Pessoa em Lisboa. No Brasil, em 1966 Manuel Bandeira publicou suas traduções para as quadras. Os poemas versam sobretudo acerca da finitude da vida, da necessidade de aproveitar os amores e o vinho antes que seja tarde demais. O tom lúgubre de muitos destes versos se refletia perfeitamente em meu avô, pessoa super-preocupada e taciturna...

DPL: Cecília Meireles contemporânea

Imagem
A missão expert da segunda parte do desafio literário exige um bocado de pesquisa e imaginação: descrever como Cecília Meireles seria, agiria e viveria no século XXI (ela nasceu em 1901 e faleceu em 1964). Como ela pensaria e o que faria se pudesse vislumbrar nosso mundo moderno e dar sua opinião? Que trabalhos ela teria escrito em 2014? O que faria de diferente? Como nossa nova Cecília se comunicaria? Através de blogs, um site pessoal, uma página no Facebook? Estaria sempre na televisão? Atrairia filas intermináveis de fãs nas feiras literárias e bienais? Teria fãs de todas as idades ou seria mais popular com alguns nichos (mulheres, adolescentes, hipsters)? De algum modo, sinto que a Cecília Meireles moderna seria parecida... comigo. A infância solitária cheia de livros e objetos a serem descobertos e observados, a publicação do primeiro livro aos 18, a realidade de jovem aluna inteligente, a escolha de trabalhar com educação (embora hoje eu siga por outro caminho), a colaboraç...

Poeme-se!

Imagem
Um homem se aproxima de mim: “Você já conhece a Poeme-se, a primeira grife do Brasil especializada em poesia?”. Depois, ele pergunta se eu já havia tirado minha pílula poética do dia, quer dizer, se eu já havia tirado de uma bombonière um pedaço de papel com um poema. Eu tiro o poema, leio, e pronto: fui conquistada pela Poeme-se. Esta cena aconteceu na feira do livro. Depois de ler o poema com um sorriso no rosto (era de graça o poema!), não resisto e vou ver o que a tal grife me oferece. Não comprei nenhuma camiseta porque eram grandes demais para mim. Outra atração eram os porta-copos com imagens de poetas ou dizeres como “Procura-se um amor que goste de Clarice Lispector”. Mais embaixo, canecas e cadernetas. Mas aí vieram os bottons. Ah, bottons são meu calcanhar de Aquiles! Comprei os quatro da imagem. O menor mostra os óculos de Machado de Assis, no maior lê-se Eu <3 Poesia. Os outros dois contém versões infantis de Olavo Bilac e Amélie Poulain, que não é poetisa, mas es...