Postagens

Mostrando postagens com o rótulo debate

Quem quer ser um (escritor) milionário?

Imagem
I- “ - O que você quer ser quando crescer, Júnior? - Escritor! E assim o silêncio sepulcral acabou com o clima do jantar em família.” II- “- E aí, o que você faz da vida? - Sou escritor. - Tá, mas com o que você TRABALHA?” Se eles podem, eu também posso! (Eles ganharam isso só em 2014!) Se você já foi corajoso o suficiente para confessar que deseja fazer da escrita seu ganha-pão, com certeza uma das situações acima lhe é familiar. Na última semana, tivemos um intenso debate sobre a possibilidade ( ou não ) de viver de literatura no Brasil. Afinal, dá ou não? Dá. Mas só se alguns fatores ajudarem. Um deles (o mais importante, a meu ver) é a sorte. O autor pode ter a sorte de se dar bem com um gênero que está em voga (porque muitos vão tentar seguir a moda, mas nem todos vão conseguir sem cair no ridículo), ter a sorte de ele próprio acabar lançando um gênero novo ou ressuscitando algum que andava esquecido, ou ter a sorte de cair na louca máquina de fabricação de ce...

Machado & Patrícia: vilões ou heróis?

Imagem
Vocês devem ter visto a polêmica criada esta semana quando a escritora Patrícia Secco apresentou um projeto ao Ministério da Educação que consiste em reescrever obras de Machado de Assis para um público mais “simples” (veja a reportagem da UOL aqui ). Milhares de pessoas vieram com pedras na mão para criticar Patrícia, que estaria fazendo um desserviço à educação brasileira e a todos os leitores do país, que no final das contas não são muitos. Mas, adivinhem? Adaptações de obras literárias clássicas já foram feitas muitas vezes. E foram elogiadas! Quando eu tinha 14 anos, tive de ler Dom Casmurro. Mas não “O” Dom Casmurro. Era uma adaptação da obra-prima de Machado, com a narração passada da primeira para a terceira pessoa, e muitas palavras simplificadas. O autor era Fernando Sabino, a editora, Ática. Ou seja, havia nomes de peso por trás da publicação. E Fernando Sabino não fez a mudança de voz narrativa por conta própria e depois decidiu mandar o original para a editora para v...

"Livros deveriam ser de graça"

Imagem
Vi esta frase em um post do We Heart It, site para imagens fofas. Fiquei indignada. Para os leitores, óbvio, livros de graça seriam uma bênção dos céus. Mas e para o outro lado da linha de produção literária? Para nós, escritores, livros de graça seriam a falência eterna. Não que eu concorde com o preço atual dos livros. Deixe-me explicar. Vivemos em uma sociedade em que praticamente nada é de graça. Porque há sempre muitas pessoas a serem sustentadas que colaboram com cada etapa da produção de algum bem ou realização de algum serviço. Mas o grande vilão de tudo no Brasil, o imposto, não é cobrado em material nenhum para a produção do livro. Nem para a importação de livros. Mas, o principal motivo pelo qual eu não publiquei meu livro por uma proposta tentadora foi que, sendo impresso em Portugal, ele chegaria aqui com um preço absurdo. Mas a importação não era sem impostos? E adiantaria discutir com alguma dessas livrarias gigantes por aí? (Ah, os livros no Brasil são livres d...

Fenômenos virtuais e literários

Imagem
Como se não bastasse competir com os autores conhecidos e os novatos talentosos, nós, escritores, temos mais um obstáculo a vencer para conseguir o selo de aprovação da editora e do público: os livros baseados em sucessos da internet. Em um momento em que as redes sociais dominam e diversos conteúdos se tornam virais, não é raro que as editoras fiquem de olho neste mundo virtual em busca de uma nova aposta de sucesso.   A internet adora gatos, e dois grandes sucessos transplantados para os livros são Feliz catus domesticus (nome científico do gato). A gata americana Tardar Sauce, mais conhecida como Grumpy Cat, é a felina mais famosa online. Ela também conquistou outras áreas: virou livro, jogo para celular e tablet, e uma infinidade de produtos. “A Grumpy Book” chegará ao mercado brasileiro ainda em 2014, pela editora Belas-Letras. Quem duvida que será um sucesso? (Não sei se devo ficar feliz ou triste por um gato ser publicado com sucesso e eu não). Falando em mercado br...