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Resenha: coletânea de contos “Cor Não Tem Gênero”

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  Desta vez, uma coisa diferente: uma resenha de uma coletânea que reuniu oito autores para contar histórias LGBTQIA+. Em cada parágrafo, algumas impressões sobre os oito textos que li para encontrar inspiração para um conto no qual estou trabalhando. O primeiro conto, “Tudo que não precisa ser dito”, foi escrito por Luiz Gouveia. Nele, um estudante de uma arcaica escola só para meninos localizada - presumo pelos nomes dos personagens - na Inglaterra ou outro país de língua inglesa se apaixona por um novo colega de classe. Não é a primeira paixão dele por outro menino - sendo que, numa ocasião anterior, seu sentimento foi considerado doença. O conto se passa numa época em que homossexualidade era considerada crime, daí a relação dos meninos estar duplamente em perigo. Tudo parece muito comum no conto, até que chegamos ao clímax: aí há uma divisão, com dois finais possíveis, e cabe ao leitor escolher o final para o amor proibido entre Sebastian e Augustus. “Camisetas, cores e co...

Resenha: Vá, Coloque um Vigia, de Harper Lee

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  Durante muito tempo eu tive receio de ler “Vá, Coloque Um Vigia”, porque “O Sol é Para Todos” é um dos meus livros favoritos. Publicado em 2015, apenas um ano antes da morte da autora Harper Lee, “Vá, Coloque Um Vigia” prometia desconstruir algumas coisas - uma reputação em especial, para ser mais exata - que haviam sido construídas em “O Sol é Para Todos” e reforçadas na versão cinematográfica de 1962. Mas foi o Clube do Livro Feito por Elas que me incentivou a enfrentar meu medo e finalmente conferir o livro, e assim eu não me decepcionei sozinha. Em “Vá, Coloque um Vigia”, encontramos Scout Finch, ou melhor, Jean Louise Finch, como uma moça de 26 anos que, vivendo em Nova York, vai passar um tempo na sua cidade natal de Maycomb. Seu irmão Jem herdou o coração fraco da mãe deles e sucumbiu muito jovem, e seu grande amigo Dill mora em outra cidade. Restam, de rostos conhecidos em Maycomb, Atticus Finch, a tia Alexandra e o tio Jack - a boa e velha Calpúrnia ainda está pelos ar...

Resenha: Juntos e Sem Destino, de Giovana C. Soares

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Eu sou uma leitora desconfiada. Eu vou lendo o livro com muita atenção, com meus neurônios prontos para detectar algum problema no enredo, algum deslize de gramática. E, infelizmente, encontrei ambos em “Juntos e Sem Destino”. O livro conta a história do improvável casal Leila e Henrique. Ela é sonhadora. Ele é mulherengo, irresponsável, e inalcançável. Em uma festa eles se beijam e transam, mas na manhã seguinte presenciam um assassinato. A partir de então têm de fugir do assassino, que está eliminando as testemunhas do crime uma a uma. Vamos aos pontos positivos e negativos do livro: Pontos positivos: A autora tem um vocabulário amplo, embora cometa alguns deslizes (“cavalheiro” em vez de “cavaleiro”, “intensão” e a “uncle boot” que deveria ser “ankle boot” – afinal, “uncle boot” significa “bota do tio”). Momentos de suspense: com assassinato e perseguição na trama, os momentos de tensão eram aqueles que mais me agradaram durante a leitura. Pontos negativos: ...

Resenha: Suspeitas de um Mistério, de Thiago Jefferson dos Santos Galdino

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Sabe a autopublicação e o incentivo aos autores nacionais? Sem eles, este livro jamais teria saído da gaveta. Escrito por um jovem para jovens, este suspense adolescente tem uma excelente proposta... E se perde no caminho. Os irmãos adolescentes Pedro e Saulo (só no final ficamos sabendo que eles têm 13 anos) adoram fingir que são espiões. Essa brincadeira tem a chance de se tornar realidade quando eles vão para a fazenda Santos Galdino, propriedade da tia deles, Daura. Ela é casada com Fernando, um homem que está estranho ultimamente, talvez por a fazenda não estar mais dando lucro. É o comportamento suspeito de Fernando que desperta a curiosidade dos meninos, e eles acabam se envolvendo em uma perigosa trama. Ótimo. O mistério em si é muito criativo e nos causa grande surpresa. Mas a trilha até ele é penosa: assim como em um filme da Shirley Temple, tudo acontece para beneficiar os protagonistas, que estão sempre no lugar certo, na hora certa, seja este lugar o bananal ou B...