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Mostrando postagens com o rótulo história

A historiadora por trás de “Anos de Chumbo”

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Estou aqui há tanto tempo que me esqueci de uma coisa fundamental: esqueci de me apresentar. Bora conhecer melhor a menina que se autodenominava “quase-escritora” e hoje já publicou seis livros? Talvez você já saiba que meu nome é Letícia Magalhães. Mas talvez você não saiba que sou historiadora. Essa é minha trajetória, com todos os seus altos e baixos. Sempre fui nerd, mas na minha matéria favorita me superei. Mantive a nota 10 em História durante os quatro últimos anos do Ensino Fundamental, quando era ensinada por meu segundo professor favorito de todos os tempos - a primeira professora favorita de todos os tempos é minha mamãe - , e os três anos do Ensino Médio, durante o qual em sua totalidade estufava o peito para declarar orgulhosa que faria faculdade de História. Seguindo os passos do já mencionado professor, fiz vestibular para a Unicamp. Passei em primeiro lugar no curso de História em 2011. Mas não fui fazer faculdade lá. Estava doente quando terminei o Ensino Médio...

Bicentenário de Maria Firmina dos Reis: lendo o conto “A Escrava”

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Em 11 de outubro de 2025, são celebrados os 200 anos de nascimento de Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista brasileira - como você pode conferir AQUI . Em homenagem à data, li o conto “A Escrava”, e aqui vão minhas impressões. “A Escrava” foi publicado em jornal em 1887 e trata-se de um relato de uma senhora abolicionista contando um causo. Numa tarde de agosto, passou por ela, correndo, uma escrava (sic, hoje usamos o termo “escravizada”). A ela seguiu-se um feitor, curiosamente de pele parda e que classificava a fugitiva como “douda”, e o filho da mulher, Gabriel. A narradora-personagem despista o feitor e acolhe a mulher, que lhe conta sobre sua trajetória no cativeiro, de menina livre a pequena escravizada, passando pelo traumático rapto de seus filhos gêmeos ainda na infância para serem vendidos. O conto foi publicado no auge do movimento abolicionista, mas na província do Maranhão, cuja elite era majoritariamente branca e arraigada na suposta necessidade de se manter ...

Resenha: Neca, romance em bajubá, de Amara Moira

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  “Só sei que nada sei” - Sócrates E quanto mais eu sei, sei que não sei de nada. Essa foi a sensação ao ler “Neca, romance em bajubá”. É o tipo de livro que não procuraria por vontade própria, mas que foi escolhido no novo clube de leitura LGBTQ+ no qual entrei. Esses tipos de iniciativas são excelentes para ampliar nossos horizontes literários, e com certeza foi o que aconteceu comigo durante esta leitura. Confesso que, quando li o subtítulo “romance em bajubá”, do alto da minha ignorância pensei se tratar do lugar onde a história de passava: de preferência, uma paradisíaca praia da Bahia. Estava totalmente errada, mas existe sim exuberância no bajubá, afinal, trata-se de um dialeto da população LGBTQIA+. Além deste dialeto, a protagonista usa palavras do francês e do italiano, devido à sua passagem por estes países, incluindo algumas aportuguesadas para casar com a pronúncia. Escolhi deixar a leitura fluir, sem ficar indo ao dicionário toda vez que encontrava uma palavra ou ...

Culturação: Playlist “Anos de Chumbo”

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Minha primeira playlist!  Um dos desafios do projeto Culturação do mês de setembro era em homenagem tanto ao Dia do Rádio (21/09) quanto ao Dia da Música Popular Brasileira (27/09). E a missão era associar músicas a alguns livros, afinal, ler com uma trilha sonora combinando ao fundo é tudo de bom. Bem, desde a publicação do meu romance “Anos de Chumbo” eu pretendia fazer uma pequena playlist para acompanhar e inspirar a leitura. Como o título indica, a história se passa durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), um momento de efervescência também na cena musical. Com a censura sempre presente, os sábios e destemidos compositores tinham de arrumar maneiras simbólicas e veladas de dar seu recado, motivar o povo e criticar a ditadura. Confesso que me inspirei em várias músicas do período enquanto escrevia. “Disparada”, por exemplo, é o título de um capítulo vital do livro. Se o livro fosse adaptado para a televisão ou cinema, gostaria que os créditos de aber...

Resenha: Morada das Lembranças, de Daniella Bauer

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Até pouco tempo, eu nunca havia participado de um book tour. Mas o primeiro book tour a gente nunca esquece, e este teve tudo para ser, realmente, inesquecível: muito bem organizado e com um livro maravilhoso para ser lido e resenhado por quinze mãos da blogosfera. A história de “Morada das Lembranças” é contada em primeira pessoa, misturando tons de reflexão, recordação e confissão. A nossa protagonista é uma menina que, aos sete anos de idade, após o assassinato do pai, precisa sair da Rússia revolucionária às pressas, acompanhada da mãe e do irmão bebê. Uma experiência sem dúvida traumática. O destino do trio é o Rio de Janeiro, onde mora a avó da protagonista, uma senhora severa que está amigada com um militar brasileiro e leva uma vida confortável nas nossas terras tropicais. Mas toda a travessia da família não será nada fácil, e a chegada no solo brasileiro também não trará muito alívio. A escrita é fluida e rápida, sem se tornar piegas nem ser superficial. Um momen...

Quiz: qual personagem você é?

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Não estamos falando de quaisquer personagens, mas sim dos protagonistas e coadjuvantes de meu novo livro, meu primeiro romance, minha grande empreitada literária de 2014 / 2015: "Anos de Chumbo". Façam o quiz. Conheçam os personagens desta fascinante história sobre a vida de pessoas comuns durante a ditadura militar.  Por enquanto, a sinopse vai dar um gostinho de "quero mais": Greta é uma estudante de 20 anos que, apesar de ter nome de estrela de cinema, leva uma vida pouco glamourosa. Ela mora com uma tia simplória e com o tio, que também é seu algoz e cabo do exército. Durante o regime militar, violentada pelo tio, ela se une a um grupo que edita um jornal clandestino, fazendo amizades, despertando paixões e ciúmes. O AI-5 é só o ponto de partida para uma história que oscila entre Brasília e São Paulo, epicentros de abusos e resistência durante a ditadura, em uma história que discute temas impensáveis para a época, como incesto, estupro, homossex...

Resenha: Doze anos de escravidão, de Solomon Northup

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Até a entrega do Oscar de 2014, eu nunca tinha ouvido falar em Solomon Northup. De fato, o homem de vida extraordinária fez sucesso com a publicação de sua autobiografia, mas passou muitas décadas esquecido pelo público. Voltar a lê-lo é mergulhar em uma das muitas manchas da história da humanidade, é relembrar uma atrocidade que jamais deve ser cometida novamente e é, em especial, se surpreender com o caráter humano a cada página. Solomon Northup era um homem negro, livre, habilidoso e inteligentíssimo. Ele morava perto de Washington com a mulher e três filhos e, uma noite, depois de negociar um trabalho como violinista em um circo itinerante, ele foi enganado por dois homens, que o drogaram, roubaram seus documentos e o venderam como escravo. A partir daí, Solomon viveria as mais cruéis provações por uma dúzia de anos, durante os quais sua liberdade e sua identidade lhe foram tiradas. O vocabulário do livro é esplêndido. Sim, é uma tradução para o português, mas não tenho dúv...