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Mostrando postagens com o rótulo poesia

Sentir? Sinta quem lê!

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  Durante a pandemia, um companheiro constante foi um livro de poesias de Fernando Pessoa. Dentre todas, amei A Tabacaria, mas minha favorita foi esta, de Álvaro de Campos: ISTO Dizem que finjo ou minto Tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto Com a imaginação. Não uso o coração. Tudo o que sonho ou passo, O que me falha ou finda, É como que um terraço Sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda. Por isso escrevo em meio Do que não está de pé, Livre do meu enleio, Sério do que não é. Sentir? Sinta quem lê! Assim como muitos outros escritores, aprendi muita coisa de experiências. Uma delas, universal, é que uma hora precisamos colocar o ponto final e por nossa obra no mundo, por mais que queiramos ficar melhorando e reescrevendo vários trechos. Outra coisa que aprendi foi que, uma vez publicada, a obra não é mais só sua: é também de quem lê. Por exemplo: com meu romance “Anos de Chumbo”, tive respostas que não esperava. Uma leitora comparou-o com uma...

Resenha: Rubaiyat, de Omar Khayyam

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  Virava e mexia, eu entrava no escritório do meu avô e encontrava o livro “Rubaiyat” de Omar Khayyam em cima da escrivaninha. Depois que meu avô se foi, resolvi lê-lo para entender melhor quem foi aquele homem, minha única figura paterna. Ler os livros favoritos de uma pessoa pode ser uma revelação. “Rubaiyat” é um livro de poemas curtos escritos ao longo de vários anos no século XII. O nome da compilação foi dado pelo tradutor inglês Edwards Fitzgerald e significa “quarteto”. Fernando Pessoa foi bastante influenciado pela tradução de Fitzgerald, tanto é que sua edição pessoal, com notas de próprio punho, permanece em exposição na Casa Fernando Pessoa em Lisboa. No Brasil, em 1966 Manuel Bandeira publicou suas traduções para as quadras. Os poemas versam sobretudo acerca da finitude da vida, da necessidade de aproveitar os amores e o vinho antes que seja tarde demais. O tom lúgubre de muitos destes versos se refletia perfeitamente em meu avô, pessoa super-preocupada e taciturna...

Resenha: Poesias de Fernando Pessoa

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A trajetória de Fernando Pessoa sempre me fascinou. A criação de heterônimos com estilos literários, personalidades, biografias e até mapa astral foi algo que chamou muito minha atenção quando ouvi falar pela primeira vez deste autor. Com o tempo, li mais sobre Pessoa – por exemplo, para escrever ESTE ARTIGO sobre a relação dele com o cinema – mas não havia lido mais do que alguns poemas dele na escola. Em 2009, durante uma viagem à cidade de São Lourenço, comprei um livro de poesias de Fernando Pessoa. Na mesma época estava estudando sobre ele. Foi necessário passar mais de uma década para que eu finalmente lesse o livro, aos poucos, um ou dois poemas por dia. E que leitura prazerosa! Dividido em poemas assinados pelo próprio Pessoa (Fernando Pessoa “ele-mesmo”), poemas do modernista e modernoso Álvaro de Campos, do árcade Ricardo Reis e do mestre de todos Alberto Caeiro, o livro com 134 páginas me apresentou muitas poesias fantásticas, que gostaria de decorar ou revisitar sempre...

DPL: Cecília Meireles contemporânea

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A missão expert da segunda parte do desafio literário exige um bocado de pesquisa e imaginação: descrever como Cecília Meireles seria, agiria e viveria no século XXI (ela nasceu em 1901 e faleceu em 1964). Como ela pensaria e o que faria se pudesse vislumbrar nosso mundo moderno e dar sua opinião? Que trabalhos ela teria escrito em 2014? O que faria de diferente? Como nossa nova Cecília se comunicaria? Através de blogs, um site pessoal, uma página no Facebook? Estaria sempre na televisão? Atrairia filas intermináveis de fãs nas feiras literárias e bienais? Teria fãs de todas as idades ou seria mais popular com alguns nichos (mulheres, adolescentes, hipsters)? De algum modo, sinto que a Cecília Meireles moderna seria parecida... comigo. A infância solitária cheia de livros e objetos a serem descobertos e observados, a publicação do primeiro livro aos 18, a realidade de jovem aluna inteligente, a escolha de trabalhar com educação (embora hoje eu siga por outro caminho), a colaboraç...

Poema: História do Futebol

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É hora de Copa do Mundo, minha gente! Na Copa de 1994, a Copa do tetra, eu tinha menos de um ano. Também não me lembro da Copa de 1998. Por isso minha primeira memória da Copa do Mundo é de 2002, e com ela veio um grande prêmio. Não estou falando do pentacampeonato, mas sim do álbum de figurinhas da Disney, único álbum que eu completei na minha vida. Mas a euforia causada pela vitória me deu também inspiração. E assim eu escrevi o poema abaixo, um ótimo incentivo para torcermos neste mundial. Mas me dêem um desconto, afinal, eu escrevi o poema aos 8 anos e hoje posso dizer que minha escrita está bem melhor: História do Futebol – autoria de Letícia Magalhães O futebol não foi inventado no Brasil Mas dele gostamos bastante Ele foi inventado na Inglaterra, Um país bem distante. Desde a Antiguidade Todos adoravam “bater uma bolinha”. Nossos antepassados das cavernas Começaram chutando pedrinhas. Os gregos usavam como bola Uma bexiga de boi cheia de ...

Poeme-se!

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Um homem se aproxima de mim: “Você já conhece a Poeme-se, a primeira grife do Brasil especializada em poesia?”. Depois, ele pergunta se eu já havia tirado minha pílula poética do dia, quer dizer, se eu já havia tirado de uma bombonière um pedaço de papel com um poema. Eu tiro o poema, leio, e pronto: fui conquistada pela Poeme-se. Esta cena aconteceu na feira do livro. Depois de ler o poema com um sorriso no rosto (era de graça o poema!), não resisto e vou ver o que a tal grife me oferece. Não comprei nenhuma camiseta porque eram grandes demais para mim. Outra atração eram os porta-copos com imagens de poetas ou dizeres como “Procura-se um amor que goste de Clarice Lispector”. Mais embaixo, canecas e cadernetas. Mas aí vieram os bottons. Ah, bottons são meu calcanhar de Aquiles! Comprei os quatro da imagem. O menor mostra os óculos de Machado de Assis, no maior lê-se Eu <3 Poesia. Os outros dois contém versões infantis de Olavo Bilac e Amélie Poulain, que não é poetisa, mas es...