Postagens

Mostrando postagens com o rótulo literatura brasileira

Resenha: Neca, romance em bajubá, de Amara Moira

Imagem
  “Só sei que nada sei” - Sócrates E quanto mais eu sei, sei que não sei de nada. Essa foi a sensação ao ler “Neca, romance em bajubá”. É o tipo de livro que não procuraria por vontade própria, mas que foi escolhido no novo clube de leitura LGBTQ+ no qual entrei. Esses tipos de iniciativas são excelentes para ampliar nossos horizontes literários, e com certeza foi o que aconteceu comigo durante esta leitura. Confesso que, quando li o subtítulo “romance em bajubá”, do alto da minha ignorância pensei se tratar do lugar onde a história de passava: de preferência, uma paradisíaca praia da Bahia. Estava totalmente errada, mas existe sim exuberância no bajubá, afinal, trata-se de um dialeto da população LGBTQIA+. Além deste dialeto, a protagonista usa palavras do francês e do italiano, devido à sua passagem por estes países, incluindo algumas aportuguesadas para casar com a pronúncia. Escolhi deixar a leitura fluir, sem ficar indo ao dicionário toda vez que encontrava uma palavra ou ...

Papel & Película: Ainda Estou Aqui (2024)

Imagem
  *A coluna Papel & Película trata de literatura e cinema através de artigos sobre adaptações de obras literárias para o audiovisual. Escrevi a coluna semanalmente durante alguns anos para o finado site Leia Literatura. Este é um artigo inédito* Eu não podia deixar de participar do maior evento cinematográfico do Brasil em 2024: a estreia do nosso candidato ao Oscar e premiado no Festival de Veneza. “Ainda Estou Aqui” já é um sucesso comercial imenso, com mais de 8,5 milhões arrecadados no primeiro final de semana de exibição nos cinemas. Fui no quinto dia após a estreia e contribuí com meus 39 reais para a bilheteria. E não saí da sessão nem um pouco decepcionada. A história contada é de quem fica. Quem fica é Eunice Paiva (Fernanda Torres). Quem vai é seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva (Selton Mello). Vai, não: é brutalmente levado por agentes da ditadura para “prestar depoimento”. Dias depois Eunice e sua filha adolescente também são levadas para depor e passam por t...

Resenha: Fundo, de Beatriz Aquino

Imagem
  Um livro que é como um mergulho: assim Beatriz Aquino, minha amiga, definiu seu “Fundo”, desejando na dedicatória “bom mergulho”. Ora, para todo bom leitor, não é todo livro um mergulho? Mas este é diferente: além de todas as metáforas aquáticas, tem uma narrativa que envolve e surpreende, como o próprio mar. Durante um bom tempo de leitura, convenci-me de que cada capítulo poderia ser lido como um conto, tão vastas eram as narrativas e vivências das mulheres protagonistas. Esqueci-me de que somos múltiplas, e podemos abrigar em nós vivências também múltiplas, mesmo sendo um indivíduo apenas. Foi depois de mais de quarenta páginas que me dei conta de que era uma narrativa não-linear cronologicamente, mas sobre uma só pessoa: a protagonista Ana.  Violentada pelo pai na infância e mandada para São Paulo logo depois, não para fugir do escândalo mas para fugir da fome, Ana seguiu a cartilha da vida: formou-se, passou um tempo estudando fora, flertou, namorou, casou, adquir...

Resenha: A Correspondência de uma Estação de Cura, de João do Rio

Imagem
  “A Correspondência de uma Estação de Cura” é caso raro na literatura brasileira: um romance epistolar, isto é, com sua prosa composta por cartas. Igual a este temos, na literatura alemã, o famoso “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe. Mais curioso que a maneira como o romance é construído é, para mim, o fato de que ele se passa em minha cidade, a pequena Poços de Caldas, que há um século era uma das mais disputadas estações termais do Brasil. Li o livro, que há muito conhecia de nome é me intrigava, por ocasião dos 150 anos da cidade. As cartas são escritas por todos os tipos que se encontravam na estância na temporada de 1917: gente da elite paulista e carioca, jovens mancebos com segundas intenções, criados de hóspedes, um gerente de um hotel, moças buscando ao mesmo tempo a diversão e o amor, uma cantora que usa um pseudônimo para nunca descobrirem que, para ganhar a vida, ela cantava em estações termais. Em uma carta é possível encontrar passagens já narradas por out...

Resenha: Melhor que Sexo!, de Luiz Cláudio Siqueira

Imagem
Algumas pessoas deveriam ficar bem longe do lápis e do papel, porque não acrescentam nada à literatura. Este é um bom exemplo disso. Em livros de crônicas, em geral uma delas é escolhida para que seu título dê nome ao livro todo. O texto “Melhor que Sexo!” é uma tentativa de criar um crescendo de expectativas para, ao final, quebrá-las em um súbito e bem-humorado desfecho. O problema é que o desfecho é óbvio para qualquer pessoa minimamente inteligente que já passou pelo ensino fundamental, e o resultado acaba não sendo tão eficaz. E, a partir daí, o livro vai montanha-russa abaixo. Há apenas um bom texto: Como conviver com seu analista e ser feliz. Escrito em forma de tópicos numerados e breves, traz humor e algumas verdades sobre fazer terapia, sem condescendência ou exageros desnecessários. Em alguns momentos, a tentativa feita pelo autor de escrever crônicas me fez me lembrar de mim mesma... aos oito anos de idade. Com a diferença de que eu sabia mais sobre regência ...

Resenha: Juntos e Sem Destino, de Giovana C. Soares

Imagem
Eu sou uma leitora desconfiada. Eu vou lendo o livro com muita atenção, com meus neurônios prontos para detectar algum problema no enredo, algum deslize de gramática. E, infelizmente, encontrei ambos em “Juntos e Sem Destino”. O livro conta a história do improvável casal Leila e Henrique. Ela é sonhadora. Ele é mulherengo, irresponsável, e inalcançável. Em uma festa eles se beijam e transam, mas na manhã seguinte presenciam um assassinato. A partir de então têm de fugir do assassino, que está eliminando as testemunhas do crime uma a uma. Vamos aos pontos positivos e negativos do livro: Pontos positivos: A autora tem um vocabulário amplo, embora cometa alguns deslizes (“cavalheiro” em vez de “cavaleiro”, “intensão” e a “uncle boot” que deveria ser “ankle boot” – afinal, “uncle boot” significa “bota do tio”). Momentos de suspense: com assassinato e perseguição na trama, os momentos de tensão eram aqueles que mais me agradaram durante a leitura. Pontos negativos: ...

Resenha: Tinderela, de R.M Cordeiro

Imagem
Foi necessário um voo de três horas em um avião sem televisão para que eu me voltasse para um dos e-books há muito comprados na Amazon e praticamente esquecidos no aplicativo do Kindle. Meu escolhido foi “Tinderela”, que tem o sugestivo subtítulo “A procura do amor na era digital”. O livro conta as aventuras de Rafaela, fisioterapeuta, no mundo da paquera virtual. Ela é convencida por uma amiga a testar o Tinder, aplicativo de paquera e namoro, e isso dá início a uma divertida série de encontros e, acima de tudo, desencontros amorosos. É uma crônica interessante e, sobretudo, despojada da nova dinâmica das relações quando o mundo virtual se encontra com o real. Bem ao estilo das séries norte-americanas que já fazem parte do nosso cotidiano, a vida amorosa de Rafaela inclui encontros casuais, sexo e várias neuras por “detalhes” como acrobacias na cama, beijos molhados demais e dentes lascados. É real, mas é duro de ler que “no segundo encontro, ela não quis arriscar que ele a ...

Resenha: Tudo por um namorado, de Thalita Rebouças

Imagem
Ouvia muitos elogios sobre Thalita Rebouças, escritora de livros para adolescentes que faz imenso sucesso, e sua simpatia nas entrevistas me encantava. Então, resolvi dar uma chance a um de seus livros, embora eu mesma não seja mais adolescente. Comprei “Tudo por um namorado” depois de ouvir a autora falar que este livro é ótimo para quem quer desencalhar, e minha mãe fazer piada com minha vida amorosa. O livro conta a história das três amigas Manu, Gabi e Ritinha, todas por volta dos 14, 15 anos. Gabi está apaixonada por Diogo, menino popular da escola, e convence as amigas a acompanhá-la em uma viagem a uma colônia de férias onde ela pretende conquistar o garoto. Para seu desespero, a bela ex-namorada de Diogo, Suzaninha, também vai na viagem. Além de ter um maravilhoso projeto gráfico, livro é bem divertido e cheio de gírias. Minhas personagens favoritas foram Ritinha, garota inteligente, boa em esportes (OK, isso não pode existir), atrapalhada e falante; e Babete, prima de ...

Resenha: Água Viva, de Clarice Lispector

Imagem
Ela é campeã nas citações de redes sociais, sejam elas verdadeiras ou não. Clarice Lispector é musa, é referência, é exemplo, mas nem sempre é uma escritora fácil de ser lida. Algumas de suas obras não são para qualquer um, confundem o leitor incauto, impressionam quem entrou de gaiato na leitura, mas recompensam quem segue firme, reflete sobre o que está no livro e o que está além do livro, e podem mudar o rumo de uma vida. Água Viva é um destes livros. Eu tenho a estranha convicção de que, quanto mais difícil é escrever a sinopse de um livro ou filme sem explicar muito ou dar spoilers, melhor é a obra. Gosto de coisas que me surpreendam pela complexidade, que não podem ser resumidas em uma só frase ou parágrafo. Água Viva é impossível de se resumir, não exatamente pela história convoluta, e sim pela ausência de história. Clarice gostava de fluxos de consciência, e Água Viva é um imenso fluxo de consciência. Não há divisão em capítulos, apenas em parágrafos. É um monólogo ...

Mulheres Escritoras #1: Maria Firmina dos Reis

Imagem
Você deve conhecer Clarice Lispector e Cecília Meirelles. A primeira foi uma grande romancista e contista russo-brasileira, a segunda escreveu lindos poemas. Seriam elas as mulheres pioneiras na literatura tupiniquim? NÃO! Esta é a história de Maria Firmina dos Reis, a primeira poetisa e romancista do Brasil. Para ser um escritor de projeção no Brasil no século XIX (e até hoje, infelizmente), era necessário ser homem, branco, com alguma renda, ter estudado na Europa e viver no eixo Rio – São Paulo. Maria Firmina dos Reis era mulher, negra, professora primária e maranhense.  Busto de Maria Firmina dos Reis Nascida em 1825, foi criada pela avó e foi autodidata. Desde jovem publicou diversos contos, crônicas e poesias na imprensa de São Luís. Seu primeiro romance, “Úrsula”, foi entretanto publicado sob o pseudônimo “uma maranhense”. Maria escondeu assim seu nome, mas não seu gênero. Escreve um romance abolicionista, e o primeiro romance afro-brasileiro da história. Ao ...

TAG: Campanha Literatura Brasileira

Imagem
Depois de uma longa ausência, eu volto com uma TAG que me foi indicada em junho (que vergonha por ter demorado tanto) pelo blog As 1001 Nuccias . As regras da TAG são as seguintes: 1 - Responder as perguntas; 2 - Anexar o selo da TAG; 3 - Indicar 10 blogs para responderem; 4 - Colocar o link de quem te indicou; 5 - Seguir o blog que te indicou; 6 - Comentar com o link das suas respostas para que eu possa conhecê-las e seguir seu blog de volta. Vamos lá? 1) Qual(is) livro(s) nacional(is) você mais gostou de ler? “Dom Casmurro”, que, apesar de ser tarefa da escola, foi um livro fascinante e perturbador. 2) Qual(is) os escritor(es) brasileiro(s) que você mais gosta? Machado de Assis e José de Alencar! Também gosto muito de Moacyr Scliar. Dos atuais não sei se tenho um favorito, mas gosto da presença simpática de Thalita Rebouças (só li um livro dela até agora).  3) Recomende um livro nacional ou mais que você acredita que todos poderiam gostar de le...