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Mostrando postagens com o rótulo cinema e literatura

Papel & Película: O Livro da Discórdia (2022)

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  *A coluna Papel & Película trata de literatura e cinema através de artigos sobre adaptações de obras literárias para o audiovisual e também filmes sobre livros. Escrevi a coluna semanalmente durante alguns anos para o finado site Leia Literatura. Este é um artigo inédito* “Quando um escritor nasce numa família, esta família está ferrada” - a frase é mais ou menos assim. Citada no filme por um apresentador de televisão, que diz que Philip Roth a citava, mas era de autoria de outro escritor, não nomeado. Esta frase sem autoria clara é perfeita para descrever um tipo de inspiração comum entre os escritores, mas que pode causar muitos problemas. Escreva sobre o que você conhece, alguém pode aconselhar. E conhecemos poucas coisas tão bem quanto a nossa família. Mudando nomes e gêneros, inventando situações e desmascarando outras ocultas, o escritor Youssef Salem (Ramzy Bedia) costura a trama de um romance entitulado “Choque Tóxico”. Na vida real, Youssef tem duas irmãs e um...

Apresentando a Menina Bonita com Mania de Fita

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  Meu principal projeto literário de 2024 foi publicar meu primeiro livro infantojuvenil em três línguas: português , inglês e espanhol . Como muito me interessa a inclusão e acessibilidade, este livro conta com QR Code para acessar a audiodescrição das ilustrações. E que ilustrações! Entrei em contato com uma ilustradora que admirava à distância faz tempo, a Clara Assis , para que ela bolasse imagens do jeitinho que eu queria, com um toque retrô inspirado no filme “Fazendo Fita / Show People” (1928). Este é um livro autobiográfico. É sobre uma menina que sofreu bullying e o venceu, é o que diz a sinopse. E o venceu, já dando um pequeno spoiler, com ajuda da sétima arte, ele, minha paixão: o cinema. O título do livro tem duas explicações. A primeira é bem óbvia: foi inspirado em “Menina Bonita do Laço de Fita”, de Ana Maria Machado, clássico da literatura infantil que só fui ler já adulta. Uma curiosidade: como a autora, minha mãe se chama Ana Maria – mas não é Ana Maria Machado, e...

Resenha: A contadora de filmes, de Hernán Rivera Letelier

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Cinema é tudo para mim. Foi o que me deu forças para continuar no momento mais difícil da minha vida. É o meu combustível diário, minha paixão, minha profissão*. Sem cinema tenho sintomas de abstinência, e a vida perde um pouco o colorido. Por isso eu leio tudo sobre cinema. Por isso eu li “A contadora de filmes” há muitos anos. Por isso reli o livro para refrescar a memória e me preparar para a estreia da adaptação cinematográfica. Maria Margarita é a mais nova entre cinco irmãos, todos os outros homens. O pai sofrera um acidente de trabalho nas minas de sal, deixando-o paralisado da cintura para baixo. A mãe abandonara a família quando a desgraça se abateu. O dinheiro era contado, para os bens essenciais e para o bem mais essencial para a mente: uma ida semanal ao cinema. Houve um concurso entre os filhos: quem contasse melhor o filme visto, com mais riqueza de detalhes, ganharia o direito - o dever! Um dever deveras prazeroso - de ir semanalmente ao cinema e voltar para casa para ...

TAG: 5 filmes, uma década

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Quer me torturar? Basta me pedir para escolher meus cinco filmes favoritos. A blogagem coletiva do grupo Vintage & Retro Bloggers, sugerida pela Fernanda Lange, foi além na tortura e pediu para cada blogueira escolher cinco filmes de qualquer década. Como assim, gente, SÓ cinco? E de qualquer década que eu quiser? Mas eu amo todas igualmente! Então eu decidi trapacear: escolherei cinco filmes de cinco décadas, dentro de cinco perfis diferentes. Estes perfis são dos personagens do meu novo livro, “Anos de Chumbo” , mas certamente algum leitor irá se identificar mais com um ou outro – talvez até com mais de um. Assim, leia cada perfil e corra atrás dos filmes indicados. Vai por mim, vale muuuuito a pena! Para você que é uma pessoa decidida, ambiciosa e pé no chão, que não confia muito nas pessoas e segue sempre seus valores, que às vezes soa egoísta, mas que nunca desiste de lutar pelo que acredita: Você é como nossa protagonista Greta e certamente vai gostar de: A Caix...

DPL: TOP 10: Melhores e piores adaptações de livros para o cinema

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Melhores Adaptações 5- O Mágico de Oz / The Wizard of Oz (1939): Não, o filme não é 100% fiel ao livro. Porém, é mais politicamente correto. As aventuras literárias de Dorothy são um bocado mais sangrentas e assustadoras do que as aventuras cinematográficas. Entretanto, aqui vence a nostalgia e o senso comum: o filme é tão belo e mágico que acabou substituindo o conteúdo do livro em nosso imaginário. 4- O Processo / The Trial (1962): Fato: eu vou gostar de qualquer filme feito por Orson Welles, mesmo que eu não o compreenda por inteiro. Aqui ele usa todos os truques e a atmosfera opressora do preto e branco para transmitir com perfeição o desespero e o absurdo de Josef K, o homem que tem sua vida revirada por uma pendência na justiça. 3- O Menino do Pijama Listrado / The Boy in the Striped Pyjamas (2008): Todo mundo com um carregamento de lencinhos? Tanto o livro quanto o filme são muito emocionantes. Li o livro quando era best-seller e ainda não havia sinais de que a h...

DPL: Mary Poppins & sua autora

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Se você viu “Walt nos Bastidores de Mary Poppins / Saving Mr. Banks” (2013), deve saber a história da autora P. L. Travers. No filme, conhecemos primeiro a amarga autora que não quer vender os direitos de sua obras para Walt Disney e, em flashback, descobrimos mais sobre sua infância difícil e o que a levou a criar a família Banks e a babá voadora. Mais sobre o filme daqui a pouco! Pamela Lyndon Travers foi o pseudônimo adotado por Helen Lyndon Goff. Ela nasceu na Austrália em nove de agosto de 1899. Sua infância foi marcada pela perda do pai, que morreu quando ela tinha sete anos, e pelo despontar de um talento literário. Seus primeiros poemas foram publicados na adolescência, em jornais australianos. Conhecida dentro da família apenas como “Lyndon”, adotou o nome Pamela Lyndon Travers para fazer teatro (aposto que você não sabia que ela foi atriz! Olha aí embaixo a Pamela no palco!). Em 1924, já com o novo nome, ela se mudou para a Inglaterra em busca de uma carreira lite...

Resenha: Doze anos de escravidão, de Solomon Northup

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Até a entrega do Oscar de 2014, eu nunca tinha ouvido falar em Solomon Northup. De fato, o homem de vida extraordinária fez sucesso com a publicação de sua autobiografia, mas passou muitas décadas esquecido pelo público. Voltar a lê-lo é mergulhar em uma das muitas manchas da história da humanidade, é relembrar uma atrocidade que jamais deve ser cometida novamente e é, em especial, se surpreender com o caráter humano a cada página. Solomon Northup era um homem negro, livre, habilidoso e inteligentíssimo. Ele morava perto de Washington com a mulher e três filhos e, uma noite, depois de negociar um trabalho como violinista em um circo itinerante, ele foi enganado por dois homens, que o drogaram, roubaram seus documentos e o venderam como escravo. A partir daí, Solomon viveria as mais cruéis provações por uma dúzia de anos, durante os quais sua liberdade e sua identidade lhe foram tiradas. O vocabulário do livro é esplêndido. Sim, é uma tradução para o português, mas não tenho dúv...

Resenha: O lado bom da vida, de Matthew Quick

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Livros que viram filmes sempre se tornam sensação no mercado. “O lado bom da vida”, romance de estreia de Matthew Quick, além de ter sido adaptado para as telas, também figura em dois gêneros que fazem sucesso atualmente: o young adult e o chamado sick-lit , livros que tratam sobre doenças. Apesar de todos esses ingredientes de sucesso, Matthew foge dos estereótipos e trata doenças mentais com leveza e dignidade. Pat Peoples é um ex-professor que passou algum tempo internado no que ele chama de “lugar ruim” (uma clínica psiquiátrica) até que sua mãe fosse tirá-lo de lá contra as ordens dos médicos. A internação de Pat marcou o começo do “tempo separado” da esposa, Nikki, e a maior meta dele é reconquistá-la. Para isso, ele malha loucamente todos os dias e treina ser gentil ao invés de ter razão, ou seja, concordar com as pessoas ao invés de discutir. Tentei imitar nuvens... #FAIL O pai de Pat é um homem fechado e com um conceito de afeto difícil de entender. Seu humor é dita...

Links Literários

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15 Mandamentos do Escritor: Quer mentores melhores que Hemingway, James Joyce e Nietzsche? Aqui estão 15 conselhos valiosos desses grandes nomes da literatura: http://www.revistabula.com/473-os-15-mandamentos-do-escritor/ Hábitos de dormir e produtividade: Aposto que vocês nunca se perguntaram a que horas alguns escritores famosos acordavam. Bem, a americana Maria Popova quis saber como o sono afetou a produtividade de alguns mestres. Assim, foi possível descobrir que eu acordo na mesma hora que Ray Bradbury, o mais prolífico da lista... http://literatortura.com/2014/02/os-habitos-de-sono-e-produtividade-de-famosos-escritores/ O cinema resgata livros esquecidos: Esta notícia da Folha analisa como várias obras voltam ao prelo quando são adaptadas para o cinema: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/02/1409726-cinema-leva-editoras-a-resgatar-classicos-e-obras-que-ninguem-queria.shtml Pra quem escreve o autor local: Esta excelente matéria sobre o merc...