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Bicentenário de Maria Firmina dos Reis: lendo o conto “A Escrava”

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Em 11 de outubro de 2025, são celebrados os 200 anos de nascimento de Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista brasileira - como você pode conferir AQUI . Em homenagem à data, li o conto “A Escrava”, e aqui vão minhas impressões. “A Escrava” foi publicado em jornal em 1887 e trata-se de um relato de uma senhora abolicionista contando um causo. Numa tarde de agosto, passou por ela, correndo, uma escrava (sic, hoje usamos o termo “escravizada”). A ela seguiu-se um feitor, curiosamente de pele parda e que classificava a fugitiva como “douda”, e o filho da mulher, Gabriel. A narradora-personagem despista o feitor e acolhe a mulher, que lhe conta sobre sua trajetória no cativeiro, de menina livre a pequena escravizada, passando pelo traumático rapto de seus filhos gêmeos ainda na infância para serem vendidos. O conto foi publicado no auge do movimento abolicionista, mas na província do Maranhão, cuja elite era majoritariamente branca e arraigada na suposta necessidade de se manter ...

Resenha: A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath

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  Existem livros que entram na nossa vida e ficam na nossa lista de “próximas leituras” por muito tempo, até surgir a oportunidade perfeita. “A Redoma de Vidro” foi um desses livros. Ouvi falar através de amigas - que inclusive o têm como livros que mudaram a vida delas - e sempre quis lê-lo. O grande dia chegou, quando foi escolhido como livro do mês do clube de leitura Feito por Elas. Li-o, apreciei muito a prosa única de Sylvia Plath, e terminei-o num dia sugestivo: no segundo aniversário de minha tentativa de suicídio. Conhecemos Esther Greenwood quando ela está fazendo um estágio numa revista em Nova York. Nesta primeira metade do livro, suas interações com as outras meninas que moram no mesmo hotel que ela são o ponto alto da narrativa. É pelos olhos de Esther que conhecemos Doreen, Betsy, Hilda e outras que são só citadas. Mesmo em um meio glamouroso e excitante, Esther já demonstra certa apatia, bastante presente, por exemplo, em sua birra com filmes em Technicolor, que er...

Mulheres Escritoras #1: Maria Firmina dos Reis

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Você deve conhecer Clarice Lispector e Cecília Meirelles. A primeira foi uma grande romancista e contista russo-brasileira, a segunda escreveu lindos poemas. Seriam elas as mulheres pioneiras na literatura tupiniquim? NÃO! Esta é a história de Maria Firmina dos Reis, a primeira poetisa e romancista do Brasil. Para ser um escritor de projeção no Brasil no século XIX (e até hoje, infelizmente), era necessário ser homem, branco, com alguma renda, ter estudado na Europa e viver no eixo Rio – São Paulo. Maria Firmina dos Reis era mulher, negra, professora primária e maranhense.  Busto de Maria Firmina dos Reis Nascida em 1825, foi criada pela avó e foi autodidata. Desde jovem publicou diversos contos, crônicas e poesias na imprensa de São Luís. Seu primeiro romance, “Úrsula”, foi entretanto publicado sob o pseudônimo “uma maranhense”. Maria escondeu assim seu nome, mas não seu gênero. Escreve um romance abolicionista, e o primeiro romance afro-brasileiro da história. Ao ...