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Mostrando postagens com o rótulo literatura nacional

Resenha: Neca, romance em bajubá, de Amara Moira

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  “Só sei que nada sei” - Sócrates E quanto mais eu sei, sei que não sei de nada. Essa foi a sensação ao ler “Neca, romance em bajubá”. É o tipo de livro que não procuraria por vontade própria, mas que foi escolhido no novo clube de leitura LGBTQ+ no qual entrei. Esses tipos de iniciativas são excelentes para ampliar nossos horizontes literários, e com certeza foi o que aconteceu comigo durante esta leitura. Confesso que, quando li o subtítulo “romance em bajubá”, do alto da minha ignorância pensei se tratar do lugar onde a história de passava: de preferência, uma paradisíaca praia da Bahia. Estava totalmente errada, mas existe sim exuberância no bajubá, afinal, trata-se de um dialeto da população LGBTQIA+. Além deste dialeto, a protagonista usa palavras do francês e do italiano, devido à sua passagem por estes países, incluindo algumas aportuguesadas para casar com a pronúncia. Escolhi deixar a leitura fluir, sem ficar indo ao dicionário toda vez que encontrava uma palavra ou ...

Resenha: A Correspondência de uma Estação de Cura, de João do Rio

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  “A Correspondência de uma Estação de Cura” é caso raro na literatura brasileira: um romance epistolar, isto é, com sua prosa composta por cartas. Igual a este temos, na literatura alemã, o famoso “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe. Mais curioso que a maneira como o romance é construído é, para mim, o fato de que ele se passa em minha cidade, a pequena Poços de Caldas, que há um século era uma das mais disputadas estações termais do Brasil. Li o livro, que há muito conhecia de nome é me intrigava, por ocasião dos 150 anos da cidade. As cartas são escritas por todos os tipos que se encontravam na estância na temporada de 1917: gente da elite paulista e carioca, jovens mancebos com segundas intenções, criados de hóspedes, um gerente de um hotel, moças buscando ao mesmo tempo a diversão e o amor, uma cantora que usa um pseudônimo para nunca descobrirem que, para ganhar a vida, ela cantava em estações termais. Em uma carta é possível encontrar passagens já narradas por out...

Resenha: Melhor que Sexo!, de Luiz Cláudio Siqueira

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Algumas pessoas deveriam ficar bem longe do lápis e do papel, porque não acrescentam nada à literatura. Este é um bom exemplo disso. Em livros de crônicas, em geral uma delas é escolhida para que seu título dê nome ao livro todo. O texto “Melhor que Sexo!” é uma tentativa de criar um crescendo de expectativas para, ao final, quebrá-las em um súbito e bem-humorado desfecho. O problema é que o desfecho é óbvio para qualquer pessoa minimamente inteligente que já passou pelo ensino fundamental, e o resultado acaba não sendo tão eficaz. E, a partir daí, o livro vai montanha-russa abaixo. Há apenas um bom texto: Como conviver com seu analista e ser feliz. Escrito em forma de tópicos numerados e breves, traz humor e algumas verdades sobre fazer terapia, sem condescendência ou exageros desnecessários. Em alguns momentos, a tentativa feita pelo autor de escrever crônicas me fez me lembrar de mim mesma... aos oito anos de idade. Com a diferença de que eu sabia mais sobre regência ...

Resenha: Juntos e Sem Destino, de Giovana C. Soares

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Eu sou uma leitora desconfiada. Eu vou lendo o livro com muita atenção, com meus neurônios prontos para detectar algum problema no enredo, algum deslize de gramática. E, infelizmente, encontrei ambos em “Juntos e Sem Destino”. O livro conta a história do improvável casal Leila e Henrique. Ela é sonhadora. Ele é mulherengo, irresponsável, e inalcançável. Em uma festa eles se beijam e transam, mas na manhã seguinte presenciam um assassinato. A partir de então têm de fugir do assassino, que está eliminando as testemunhas do crime uma a uma. Vamos aos pontos positivos e negativos do livro: Pontos positivos: A autora tem um vocabulário amplo, embora cometa alguns deslizes (“cavalheiro” em vez de “cavaleiro”, “intensão” e a “uncle boot” que deveria ser “ankle boot” – afinal, “uncle boot” significa “bota do tio”). Momentos de suspense: com assassinato e perseguição na trama, os momentos de tensão eram aqueles que mais me agradaram durante a leitura. Pontos negativos: ...

Resenha: Tinderela, de R.M Cordeiro

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Foi necessário um voo de três horas em um avião sem televisão para que eu me voltasse para um dos e-books há muito comprados na Amazon e praticamente esquecidos no aplicativo do Kindle. Meu escolhido foi “Tinderela”, que tem o sugestivo subtítulo “A procura do amor na era digital”. O livro conta as aventuras de Rafaela, fisioterapeuta, no mundo da paquera virtual. Ela é convencida por uma amiga a testar o Tinder, aplicativo de paquera e namoro, e isso dá início a uma divertida série de encontros e, acima de tudo, desencontros amorosos. É uma crônica interessante e, sobretudo, despojada da nova dinâmica das relações quando o mundo virtual se encontra com o real. Bem ao estilo das séries norte-americanas que já fazem parte do nosso cotidiano, a vida amorosa de Rafaela inclui encontros casuais, sexo e várias neuras por “detalhes” como acrobacias na cama, beijos molhados demais e dentes lascados. É real, mas é duro de ler que “no segundo encontro, ela não quis arriscar que ele a ...

Resenha: Tudo por um namorado, de Thalita Rebouças

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Ouvia muitos elogios sobre Thalita Rebouças, escritora de livros para adolescentes que faz imenso sucesso, e sua simpatia nas entrevistas me encantava. Então, resolvi dar uma chance a um de seus livros, embora eu mesma não seja mais adolescente. Comprei “Tudo por um namorado” depois de ouvir a autora falar que este livro é ótimo para quem quer desencalhar, e minha mãe fazer piada com minha vida amorosa. O livro conta a história das três amigas Manu, Gabi e Ritinha, todas por volta dos 14, 15 anos. Gabi está apaixonada por Diogo, menino popular da escola, e convence as amigas a acompanhá-la em uma viagem a uma colônia de férias onde ela pretende conquistar o garoto. Para seu desespero, a bela ex-namorada de Diogo, Suzaninha, também vai na viagem. Além de ter um maravilhoso projeto gráfico, livro é bem divertido e cheio de gírias. Minhas personagens favoritas foram Ritinha, garota inteligente, boa em esportes (OK, isso não pode existir), atrapalhada e falante; e Babete, prima de ...

TAG: Campanha Literatura Brasileira

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Depois de uma longa ausência, eu volto com uma TAG que me foi indicada em junho (que vergonha por ter demorado tanto) pelo blog As 1001 Nuccias . As regras da TAG são as seguintes: 1 - Responder as perguntas; 2 - Anexar o selo da TAG; 3 - Indicar 10 blogs para responderem; 4 - Colocar o link de quem te indicou; 5 - Seguir o blog que te indicou; 6 - Comentar com o link das suas respostas para que eu possa conhecê-las e seguir seu blog de volta. Vamos lá? 1) Qual(is) livro(s) nacional(is) você mais gostou de ler? “Dom Casmurro”, que, apesar de ser tarefa da escola, foi um livro fascinante e perturbador. 2) Qual(is) os escritor(es) brasileiro(s) que você mais gosta? Machado de Assis e José de Alencar! Também gosto muito de Moacyr Scliar. Dos atuais não sei se tenho um favorito, mas gosto da presença simpática de Thalita Rebouças (só li um livro dela até agora).  3) Recomende um livro nacional ou mais que você acredita que todos poderiam gostar de le...

Resenha: Morada das Lembranças, de Daniella Bauer

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Até pouco tempo, eu nunca havia participado de um book tour. Mas o primeiro book tour a gente nunca esquece, e este teve tudo para ser, realmente, inesquecível: muito bem organizado e com um livro maravilhoso para ser lido e resenhado por quinze mãos da blogosfera. A história de “Morada das Lembranças” é contada em primeira pessoa, misturando tons de reflexão, recordação e confissão. A nossa protagonista é uma menina que, aos sete anos de idade, após o assassinato do pai, precisa sair da Rússia revolucionária às pressas, acompanhada da mãe e do irmão bebê. Uma experiência sem dúvida traumática. O destino do trio é o Rio de Janeiro, onde mora a avó da protagonista, uma senhora severa que está amigada com um militar brasileiro e leva uma vida confortável nas nossas terras tropicais. Mas toda a travessia da família não será nada fácil, e a chegada no solo brasileiro também não trará muito alívio. A escrita é fluida e rápida, sem se tornar piegas nem ser superficial. Um momen...

Projeto BLC: Em um livro qualquer...

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Este post contém pequenos spoilers do livro “A Droga da Obediência”, de Pedro Bandeira O projeto BLC – Blogagem Literária Coletiva , organizado pelos blogs Monykisses e Diário de uma Livromaníaca , começou 2015 com um tema muito criativo – e difícil. Saca só: “ Um belo dia você acorda e percebe que está “dentro” de um livro. Mas não um livro qualquer, um de seus livros preferidos e mais, você é um dos personagens! E agora? O que fazer? Gritar? Chorar? Se desesperar? Nada disso! Afinal de contas você sabe como termina essa história. Então você corre para procurar a saída e descobre que só poderá voltar para o mundo real quando reescrever um trecho da história, pelo seu ponto de vista. Ou seja, agora você é um dos personagens, o que você faria em determinada situação? Escolha aquele trecho que te incomodou, que te deu vontade de fazer diferente. Escolhido? Ok, agora é só contar em detalhes, como você agiria, qual seria sua reação, o que você faria caso estivesse vivencia...

Resenha: Abençoado?, de Juliano Sasseron

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Confesso que tenho preconceitos literários. Torço o nariz para algumas distopias, livros com vampiros românticos e uma ou outra modinha fantástica. Também não concordo quando os autores brasileiros se forçam a escrever sobre estes temas porque eles vendem, mesmo que o autor não tenha nenhuma vocação para ser criador de ficção científica. Mas há alguns livros e autores do gênero por quem eu dei o braço a torcer. Juliano Sasseron foi um deles. Conhecendo-o pessoalmente em um festival literário, comprei seu livro “Abençoado?” e tive uma bela surpresa. Para Juliano, o sobrenatural não é obrigação, é chamado. Ele escreveu este livro em 2005, quando o gênero ainda não estava tão na moda, e escreveu muito, muito bem. Abençoado é a história de Mateus Scaduvari. Ele é o garoto que nasce em uma noite tempestuosa em uma mansão imensa e isolada ao pé de uma montanha na cidadezinha de Pontas. O cenário ideal para uma boa história de suspense. Mateus é filho de Guilherme, um empresário, ...