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Resenha: A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath

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  Existem livros que entram na nossa vida e ficam na nossa lista de “próximas leituras” por muito tempo, até surgir a oportunidade perfeita. “A Redoma de Vidro” foi um desses livros. Ouvi falar através de amigas - que inclusive o têm como livros que mudaram a vida delas - e sempre quis lê-lo. O grande dia chegou, quando foi escolhido como livro do mês do clube de leitura Feito por Elas. Li-o, apreciei muito a prosa única de Sylvia Plath, e terminei-o num dia sugestivo: no segundo aniversário de minha tentativa de suicídio. Conhecemos Esther Greenwood quando ela está fazendo um estágio numa revista em Nova York. Nesta primeira metade do livro, suas interações com as outras meninas que moram no mesmo hotel que ela são o ponto alto da narrativa. É pelos olhos de Esther que conhecemos Doreen, Betsy, Hilda e outras que são só citadas. Mesmo em um meio glamouroso e excitante, Esther já demonstra certa apatia, bastante presente, por exemplo, em sua birra com filmes em Technicolor, que er...

Resenha: A Cachorra, de Pilar Quintana

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  Mãe de planta. Mãe de pet. Mãe de gente. Mãe de anjo. A maternidade - e a maternagem, esse termo que não tínhamos o costume de usar - mudou muito nos últimos tempos. “Ser mãe” vai muito além de ter filhos biológicos, e cada vez mais passa a ser visto como algo associado a dar afeto - muitas vezes com segundas intenções, até mesmo no discurso de que mulheres precisam ter filhos para serem cuidadas por eles na velhice.   Por vermos agora tantas facetas diferentes da maternidade, surgem, nas mídias diversas, várias obras sobre maternidade. Uma delas é o romance “A Cachorra”. Damaris é uma mulher pobre que vive numa vila litorânea perto da região de Cáli, na Colômbia - um bocado distante do point turístico litorâneo do país, Cartagena. Ela é casada há mais de 20 anos com Rogelio, e se ressente muito por nunca ter conseguido engravidar. Como “profissão”, toma conta, aparentemente sem receber salário, de uma casa de veraneio cujos donos não aparecem há décadas para passar as féri...

Resenha: A Pediatra, de Andréa del Fuego

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O que leva uma pessoa a decidir fazer o curso de medicina? A resposta romântica da maioria é “poder salvar vidas e cuidar das pessoas”. Alguns são mais práticos e chocam ao confessar que escolheram a carreira pelo dinheiro. Na minha experiência, muitos escolhem a medicina por status. Mas a protagonista do livro “A Pediatra” não se enquadra em nenhuma destas respostas. Ela fez medicina, acredite ou não, por comodidade. Cecília é pediatra e neonatologista (quem cuida de recém-nascidos) porque seu pai também é médico, e inclusive atende no mesmo prédio que ela, no mesmo andar. Mas o pai é endocrinologista pediatra e lida com as temidas “mães-pâncreas”: as mães de crianças com diabetes, dependentes de insulina. Cecília não quer ter nada a ver com crianças com doenças crônicas, muito menos com suas mães. Por isso, ela atende os pequenos pacientes até por volta dos dois anos de idade, e depois disso “dá um perdido” para que eles procurem outro pediatra. A vida calma e regrada de Cecília ...

Resenha: Vá, Coloque um Vigia, de Harper Lee

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  Durante muito tempo eu tive receio de ler “Vá, Coloque Um Vigia”, porque “O Sol é Para Todos” é um dos meus livros favoritos. Publicado em 2015, apenas um ano antes da morte da autora Harper Lee, “Vá, Coloque Um Vigia” prometia desconstruir algumas coisas - uma reputação em especial, para ser mais exata - que haviam sido construídas em “O Sol é Para Todos” e reforçadas na versão cinematográfica de 1962. Mas foi o Clube do Livro Feito por Elas que me incentivou a enfrentar meu medo e finalmente conferir o livro, e assim eu não me decepcionei sozinha. Em “Vá, Coloque um Vigia”, encontramos Scout Finch, ou melhor, Jean Louise Finch, como uma moça de 26 anos que, vivendo em Nova York, vai passar um tempo na sua cidade natal de Maycomb. Seu irmão Jem herdou o coração fraco da mãe deles e sucumbiu muito jovem, e seu grande amigo Dill mora em outra cidade. Restam, de rostos conhecidos em Maycomb, Atticus Finch, a tia Alexandra e o tio Jack - a boa e velha Calpúrnia ainda está pelos ar...