Leitura na Folia: seis livros sobre Carnaval
A maior festa popular do mundo, o Maior
Espetáculo da Terra. Ele chegou de novo: o Carnaval. Não importa se você
prefere descansar em casa ou se esbaldar nos bloquinhos: o Carnaval pode até
dividir opiniões, mas mexe com todos nós.
O Carnaval foi assunto de cinema, e o cinema
assunto de Carnaval. O primeiro filme, do que se tem notícia, dirigido por uma
mulher no Brasil se passa no Carnaval: “O Mistério do Dominó Preto”, feito por
Cléo de Verberena em 1931. Aqui, não se trata do dominó jogo, mas sim do Dominó
personagem carnavalesco hoje esquecido. Infelizmente, o filme se perdeu com o
tempo, mas tem seu lugar na História do nosso cinema.
Eu não sei vocês, mas eu gosto de assistir aos
desfiles das escolas de samba. E foi vendo um desses desfiles que tive a ideia
de fazer um post em meu blog de cinema sobre como o cinema pode ser homenageado
nos desfiles. O ano em questão era 2011 e o breve post tratou do cinema sendo
homenageado por duas escolas de samba do Rio de Janeiro. Este ano, novamente
uma homenagem: os estúdios paulistas Vera Cruz serão tema do desfile da Vai-Vai
em São Paulo.
Mas o Carnaval não precisa ser encontrado só no
audiovisual ou vice-versa: tem Carnaval também na literatura! Há, claro, os
livros técnicos, históricos e almanaques, de autores consagrados como o
biógrafo Lira Neto e o faraônico Milton Cunha. Mas há também as ficções, e aqui
destaco seis títulos ambientados no Carnaval ou que mencionam a festa (com
sinopses retiradas do Skoob).
1-
O País do Carnaval, de Jorge Amado (1931):
Romance de estreia, escrito quando Jorge Amado tinha dezoito
anos, O país do Carnaval (1931) é, apesar do título irônico, mais sombrio e
introspectivo que a maioria dos livros que fizeram dele o ficcionista mais
popular da literatura brasileira. A narrativa começa no navio que traz de volta
ao Brasil o jovem filho de fazendeiro Paulo Rigger, depois de sete anos em
Paris, onde cursara direito e absorvera comportamentos e ideias modernas. Nos
primeiros dias que passa no Rio de Janeiro, Rigger tenta compreender um país
onde já não se sente em casa, um país que tenta timidamente superar seu atraso
oligárquico e ingressar na era industrial e urbana. De volta a Salvador, ele
participa de um grupo de poetas fracassados e jornalistas corruptos que giram
em torno do cético Pedro Ticiano, cronista veterano. Todos se sentem
insatisfeitos e buscam um sentido para a existência: no amor, no dinheiro, na
política, na vida burguesa ou na religião. Nesse romance de geração, as dúvidas
e angústias dos personagens espelham a situação do país, que naquele momento
passava pela Revolução de 30 e procurava redefinir seus rumos.
2-
Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes (1956):
“Tragédia carioca”, Orfeu da Conceição transporta para um
cenário tipicamente brasileiro o mito de Orfeu, filho de Apolo, uma das
histórias mais emblemáticas da vasta mitologia grega. Imerso em sofrimento
depois da morte da amada Eurídice, o músico vê-se incapaz de entoar suas
canções, por os sons melodiosos e tristes de sua lira não o consolam da perda
do grande amor. Desesperado, Orfeu decide descer ao Hades (reino dos mortos)
para trazer Eurídice de volta à terra. Ambientado em uma favela carioca, Orfeu
da Conceição estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 1956, com enorme
sucesso. Nada mais justo: com músicas de Tom Jobim — a peça inclusive
inauguraria a fecunda parceria entre o poeta e o compositor —, cenários de
Oscar Niemeyer e figurinos de Lila Bôscoli, o texto é ainda hoje um marco na
releitura inteligente dos mitos gregos diante da realidade social, da mistura
entre poesia e música popular, entre teatro e canção.
3-
A Grande Arte, de Rubem Fonseca (1983):
O assassinato de uma prostituta --que tem seu rosto marcado à
faca com a letra "P"-- dá início ao engenhoso romance policial "A
Grande Arte" (Companhia das Letras), de Rubem Fonseca. Para decifrar essa
escrita perversa, o advogado Mandrake --um dos grandes personagens da nossa
literatura contemporânea-- lança-se em uma frenética aventura pelo lado sombrio
da metrópole. Publicado em 1983, o livro permaneceu durante meses na lista dos
mais vendidos do Brasil. A crítica o acolheu com entusiasmo no Brasil e no
exterior e a obra foi adaptada para o cinema por Walter Salles em 1991.
4-
Carnaval, de Luiza Trigo (2012):
Gabi decide passar o carnaval com as primas no Recife:
praias, música, amigos, sol, diversão... A receita ideal para Gabriela curar a
dor de cotovelo depois de ver o ex-namorado beijando uma garota. Para falar a
verdade, ela nem gostava mais dele, e era capaz de enumerar seus defeitos sem
pestanejar; mas vê-lo assim aos beijos mexeu com o coração da menina. Decidida
a esquecer o ex de uma vez, Gabi faz as malas e deixa o Rio para uma semana de
muita curtição no Nordeste. Ela só não contava com a possibilidade de se
apaixonar de verdade em pleno Carnaval! Carnaval conta a história de Gabi,
Felipe, Pedro, Juju e Bel, e de um Carnaval inesquecível emoldurado pelas
belezas de Pernambuco. Em meio a festas animadas, shows, esticadas até Porto de
Galinhas e deliciosos mergulhos e banhos de piscina, Gabi acaba se envolvendo
com Pedro, um garoto superfofo e gente boa. Mas quem vai mexer de verdade com o
coração da menina é Felipe, pena que ele não esteja solteiro... Apesar das
confusões à vista, a química entre Gabi e Felipe é mais forte, e os dois vivem
um intenso amor de carnaval. Mas será que esse amor tem chances de sobreviver
ao tempo e à distância, quando a quarta-feira de cinzas chegar, e com ela os
últimos dias da viagem de Gabi? Carnaval é um romance juvenil com o qual
qualquer adolescente vai se identificar.
5-
O Grande Dia, de Pierre Cormon (2024):
O grande dia conta as aventuras de três cariocas no Carnaval
do Rio de Janeiro. Dandara vive a expectativa de desfilar pela primeira vez no
sambódromo; Tainá ajuda a organizar o evento; e Ronildo se prepara para uma
noite de loucura em um bate-bola. Seus planos são perturbados por uma decisão
precipitada, que terá repercussões cada vez maiores à medida que as horas
passarem. As três histórias se entrelaçam, mergulhando no Carnaval e na vida
cotidiana da cidade maravilhosa. Nesse vaivém, o amor poderá ser encontrado de
forma inesperada. Como um samba-enredo, o romance desfila vários aspectos da
sociedade: o racismo, a violência, mas também o humor, a sensualidade e a
generosidade do povo brasileiro. “É um jeito de devolver ao Brasil tudo o que
ele me proporcionou”, explica o suíço Pierre Cormon, que escreveu o romance
diretamente em português
6-
O último Carnaval antes da Grande Praga, de
Letícia Magalhães (2026):
Ninguém sabia à época, mas aquele foi o último Carnaval antes da
grande praga. O último Carnaval antes das medidas de isolamento social. O
último antes de milhões de mortes. O último antes que as máscaras da folia
fossem substituídas por máscaras para salvaguardar a vida. Mas não foi apenas
um Carnaval de “últimos”, ele teve também algumas “primeiras vezes”. Foi
o Carnaval de estreia de um pequeno bloco chamado Cordão da Bola Preta. E
foi a primeira vez que Raul se apaixonou.
“O último Carnaval antes da Grande Praga” é um conto que acaba de
ser lançado por mim! Encontre-o exclusivamente na Amazon e boa leitura!
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