Trio de resenhas: livros LGBTQ+



Desde o começo do ano passado, estou participando de um clube do livro itinerante para expandir meus horizontes sobre a literatura LGBTQ+ contemporânea. Venho compartilhando minhas impressões no TikTok e hoje as trago aqui, como parte das comemorações do Mês do Orgulho LGBTQ.

Reinventando Denise, de Aureliano

 


Este romance-com-quadrinhos de temática LGBTQ+ tem como protagonistas o trio Lúcio, Bianca e Denise numa escapada tresloucada para Pipa, no Rio Grande do Norte, após Bianca ser abandonada no altar. Denise reaparece na vida dos amigos após uma temporada em São Paulo, onde tentou se tornar influencer com a #SeuSonhoComigo. Com sucesso moderado, volta para sua terra na esperança de encontrar tudo igual, mas não é isso que acontece. É um livro leve e muito divertido.

 

Frase favorita: “O mar tinha esse efeito de fazer os assuntos humanos parecerem coisas mínimas”

 

Uma Pitada de Sorte, de GB Baldassari

 


Um livro fofo e previsível. “Uma Pitada de Sorte”, da dupla Gi e Bruna, ambientado na Buenos Aires de 2007 - portanto com um toque de nostalgia - , começa com a azarada no amor Amélia seguindo um conselho de um amigo e deixando seu livro preferido num sebo com um bilhete com seu e-mail dentro. Ao mesmo tempo, ela consegue o que parece ser o emprego dos sonhos num restaurante com duas estrelas Michelin. Quando amor e trabalho convergem, a confusão parece ameaçar todas as alegrias de Amélia.

Gostei muito da riqueza de detalhes, como o uso de termos da alta gastronomia, menção de receitas (que são apresentadas ao final!) e até uma nevasca histórica que aconteceu em Buenos Aires em 2007.

É interessante que o livro toca também na questão do machismo nos restaurantes de alta gastronomia, com os funcionários homens desprezando a chef Julieta, superior deles.

A trama é previsível, porém satisfatória. Se o livro fosse adaptado para o cinema, daria uma comédia romântica do tipo que a minha mãe gosta. Uma leitura agradável, para aquecer os dias frios.

 

Frase favorita: “a magia da literatura é justamente ela significar coisas diferentes para pessoas diferentes”.

 

Querido Ex, de Juan Jullian

 


Gostei menos do que esperava de “Querido Ex”, de Juan Jullian. É uma narrativa unilateral, com um relacionamento sendo rememorado pelas cartas que o protagonista escreve para seu ex-namorado por indicação da psicóloga, sem intenção de enviá-las. Cada epístola é iniciada por epígrafes tiradas de uma música, que são a melhor parte do livro.

Com muitas referências à cultura pop, o verniz moderninho esconde uma narrativa sobre temas sérios como relacionamento abusivo e abuso sexual. Não esperava que alguns capítulos fossem um soco no estômago.

E foi com um soco no estômago que o livro terminou. Ele é, portanto, mais que entretenimento: é lembrança de que vivemos num país profundamente homotransfóbico e é também pedido para que lutemos contra o preconceito.

 

Frase favorita: “Não há nada mais pessoal do que o tempo”.

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