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Mostrando postagens de setembro, 2026

As meninas que inventavam

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  Era uma vez uma menina chamada Raquel. Mas era uma vez que Raquel era eu. Explico: enquanto crítica e curadora de cinema, alguns dos meus filmes favoritos são filmes sobre filmes - metalinguísticos, para usar o termo técnico. Ora, como escritora, só poderia melhorar se consumisse livros sobre livros. E foi assim, como uma adulta que escreve agora livros infantis, que pela primeira vez li “A Bolsa Amarela”. E de cara me identifiquei com Raquel. Raquel não tem idade nem etnia especificadas. Mas Raquel tem três vontades muito bem guardadas dentro de uma bolsa amarela. Vontade de ser menino, essa eu nunca tive. Vontade de crescer, na infância tive como tudo mundo tem. Mas a vontade de escrever, ah, essa eu tenho todo dia! Gosto de pensar que Lygia Bojunga, autora de “A Bolsa Amarela”, não conseguiu esconder sua vontade de escrever. Primeiro foi atriz, mas a vocação falou mais alto. Vocação que a levou a ser chamada de herdeira de Monteiro Lobato. Eu li obras do criador do Sítio...