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“Eu leio até bula de remédio” - e por que isso é um problema

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  Não importa o quanto você lê, mas sim o que lê. Eu não participei da Bienal de São Paulo em 2026, mas fiquei sabendo das polêmicas do evento. E elas reverberaram em mim. Teve a leitora que disse que Anne Frank se vitimizava muito em seu diário. Inconcebível. Será que ela experimentou se colocar no lugar de uma criança que precisa viver escondida com a família? Literatura não deveria exercitar a empatia? Quem lê não deveria ser mais tolerante para com o outro, afinal, já experimentou outras tantas realidades? Ler o Diário de Anne Frank sem se colocar no lugar dela é simplesmente um desperdício de tempo lendo sem se envolver ou prestar atenção. É querer só riscar mais um livro da lista, acabar logo uma leitura para atingir uma meta ou divulgar nas redes. Lamentável. Na Bienal, teve o tarado - não existe outro termo para a situação - com máscara Ghost Face que invadiu - novamente, não há outra palavra - o estande de uma editora de Dark Romance - romance com temas sombrios, co...