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Papel & Película: Confissões de uma garota excluída

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  *A coluna Papel & Película trata de literatura e cinema através de artigos sobre adaptações de obras literárias para o audiovisual. Escrevi a coluna semanalmente durante alguns anos para o finado site Leia Literatura. Este é um artigo inédito* Para tudo, Brasil, polo Norte e China! É assim que a protagonista do livro “Confissões de uma garota excluída, mal-amada e (um pouco) dramática” se expressa em diversas ocasiões. É um livro fofo e previsível de Thalita Rebouças. Foi meu companheiro de aeroporto em cinco viagens ao longo de dois anos. Sim, eu só o lia esperando o horário do voo, e a narrativa é tão simples que não fazia mal haver um grande intervalo de tempo entre as vezes que eu pegava o livro. Além da história bem previsível, a autora salpicou algumas receitinhas fáceis que eram feitas pela protagonista, Tetê - apelido para o exótico nome “Teanira” -, uma menina que viu sua vida virar de cabeça para baixo quando o pai perdeu o emprego e ela precisou ir morar com os ...

Resenha: O Inimigo Secreto, de Agatha Christie

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  Em minha casa, apreciamos Hercule Poirot. Minha mãe tem uma pequena porém robusta coleção de livros com aquele que é, talvez com alguma sombra de dúvida, o personagem mais famoso criado pela escritora britânica Agatha Christie. Já havia lido, da coleção, “Assassinato no Expresso do Oriente” e “A Morte no Nilo”, leituras que fiz para comparar com as adaptações cinematográficas destas obras. Quando o grupo de leitura do site Feito por Elas criou um subgrupo para leitura cronológica dos livros de Christie, eu soube que não podia ficar de fora. Como tenho uma lista enorme de outros livros que quero ler, decidi me juntar ao grupo de leituras só quando fossem discutidas obras que tenho em livro físico. E isso aconteceu relativamente cedo, com “O Inimigo Secreto”. Com ele descobri muito sobre Christie, e também conheci os Jovens Aventureiros, Tommy e Tuppence. Fiquei surpresa ao descobrir que Agatha Christie publicou seu primeiro livro apenas aos 30 anos. O hábito da escrita em sua ...

Como foi participar de uma Olimpíada de Literatura

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  Ler, para mim, sempre foi um prazer, mesmo quando eram leituras obrigatórias da escola. Mas na escola havia um lado ruim: o momento da prova sobre o livro lido. Se as questões fossem de múltipla escolha, pior ainda, pois me embananava toda. Mesmo assim, sempre tirei boas notas. Talvez seja por isso que resolvi, depois de anos de formada, me submeter mais uma vez a uma prova literária, desta vez através da participação na sexta Olimpíada de Literatura. Fiz em março a inscrição para uma prova que ocorreria no começo de maio. Havia quatro categorias: mirim (até 12 anos), junior (até 16 anos), sênior (qualquer idade) e ouro (qualquer idade). Dentro de cada categoria, havia dois livros para serem escolhidos. A outra opção na categoria sênior era Dom Casmurro, que já li há muitos anos, por isso escolhi uma novela considerada obra-prima da literatura russa: “A Morte de Ivan Ilitch”, publicada em 1886 por Liev Tolstói.   Apontamentos sobre “A Morte de Ivan Ilitch”   N...

Dando uma segunda chance para Jorge Amado

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  Meu primeiro contato com a obra de Jorge Amado não foi das melhores. Evitemos eufemismos: foi péssima. Aos catorze anos, tive de ler “Capitães da Areia” para a escola. Ainda me lembro do dia, estava esperando os cabelos molhados secarem enquanto lia, em que passei horrorizada os olhos pelas páginas que narravam o estupro da menina Dora por Pedro Bala e depois nos pediam para torcer por aquele “casal”. Abandonei a leitura, coisa que raramente faço, enojada. Ao ver um dos alunos com “Capitães da Areia” em sala de aula, nosso professor de história - o melhor professor que eu já tive - comentou que havia um livro engraçado da autoria de Jorge Amado: “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água”. Guardei o nome na memória e resolvi recorrer a esta obra agora para tentar retirar minha má impressão. Na pesquisa Retratos da Leitura , realizada pelo Instituto Pró-Livro e Itaú Cultural em 2020, Jorge Amado foi o quinto autor preferido dos brasileiros. É também o autor brasileiro mais ada...

Resenha: Depois que as luzes se apagam, de Tadeu Rodrigues

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  Pode uma história feita de clichês ser completamente original? Se estivermos falando do laureado romance de Tadeu Rodrigues, “Depois que as luzes se apagam”, a resposta será um sonoro SIM. Partindo de clichês nada baratos, ele conta a amizade entre um ancião e uma criança doente que nos arrebata, nos emociona, nos faz sonhar e por fim nos surpreende. Estevão tem oito anos. Nosso narrador, oitenta. O que une um ao outro é a finitude: Estevão é um menino doente, nosso narrador, apesar de aparentemente são, também está no fim da vida. Estevão é morador do terceiro andar do Edifício Fabuloso, onde nosso narrador também mora, num quartinho próprio para abrigar o porteiro do prédio. Em vez de ir à escola, Estevão perambula pelo prédio, até chegar ao quartinho do porteiro. Lá, nasce uma amizade nada improvável. Neste edifício de nome imponente a amizade se desenvolve na portaria e no saguão, culminando com a montagem de um circo de papelão. Com uma persona de palhaço que é “um tan...

Resenha: coletânea de contos “Cor Não Tem Gênero”

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  Desta vez, uma coisa diferente: uma resenha de uma coletânea que reuniu oito autores para contar histórias LGBTQIA+. Em cada parágrafo, algumas impressões sobre os oito textos que li para encontrar inspiração para um conto no qual estou trabalhando. O primeiro conto, “Tudo que não precisa ser dito”, foi escrito por Luiz Gouveia. Nele, um estudante de uma arcaica escola só para meninos localizada - presumo pelos nomes dos personagens - na Inglaterra ou outro país de língua inglesa se apaixona por um novo colega de classe. Não é a primeira paixão dele por outro menino - sendo que, numa ocasião anterior, seu sentimento foi considerado doença. O conto se passa numa época em que homossexualidade era considerada crime, daí a relação dos meninos estar duplamente em perigo. Tudo parece muito comum no conto, até que chegamos ao clímax: aí há uma divisão, com dois finais possíveis, e cabe ao leitor escolher o final para o amor proibido entre Sebastian e Augustus. “Camisetas, cores e co...

Resenha: A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath

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  Existem livros que entram na nossa vida e ficam na nossa lista de “próximas leituras” por muito tempo, até surgir a oportunidade perfeita. “A Redoma de Vidro” foi um desses livros. Ouvi falar através de amigas - que inclusive o têm como livros que mudaram a vida delas - e sempre quis lê-lo. O grande dia chegou, quando foi escolhido como livro do mês do clube de leitura Feito por Elas. Li-o, apreciei muito a prosa única de Sylvia Plath, e terminei-o num dia sugestivo: no segundo aniversário de minha tentativa de suicídio. Conhecemos Esther Greenwood quando ela está fazendo um estágio numa revista em Nova York. Nesta primeira metade do livro, suas interações com as outras meninas que moram no mesmo hotel que ela são o ponto alto da narrativa. É pelos olhos de Esther que conhecemos Doreen, Betsy, Hilda e outras que são só citadas. Mesmo em um meio glamouroso e excitante, Esther já demonstra certa apatia, bastante presente, por exemplo, em sua birra com filmes em Technicolor, que er...